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Desmatadores enterram árvores para ocultar crime no Paraná

18/04/2017

Uma ação de fiscalização nas principais áreas de desmatamento de mata atlântica no Paraná, realizada no fim de março, descobriu que desmatadores da região chegaram a enterrar árvores derrubadas para esconder o crime.
"Eu nunca tinha visto isso aqui", diz o tenente-coronel Cesar Lestechen Medeiros, que comanda o Batalhão de Polícia Ambiental do Paraná. "É mais um artifício para não chegar numa serraria com a madeira; uma forma de disfarçar o crime ambiental."
A prática foi encontrada em duas fazendas na região central do Estado, onde estão os principais remanescentes da mata de araucárias, parte integrante da mata atlântica e ameaçada de extinção.
O Paraná tem sido campeão no desmatamento da mata atlântica nos últimos 30 anos, segundo levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). No ano passado, registrou aumento no ritmo de desmatamento ""grande parte na área central do Estado, onde foi feita a fiscalização.
A maioria das áreas desmatadas, segundo o promotor Alexandre Gaio, deu lugar a lavouras de soja e milho. Algumas árvores foram vendidas a fábricas de carvão. Nas propriedades com árvores enterradas, tratores de esteira foram usados para derrubar a mata.
"É um desmatamento que perdeu a dimensão de ´campos de futebol´, como costumamos dizer. É uma área de um bairro inteiro", diz o superintendente do Ibama no Paraná, Julio Gonchorosky.
As árvores enterradas, por si só, não chegam a prejudicar o meio ambiente, segundo a professora Ana Paula Dalla Corte, do curso de Engenharia Florestal da UFPR (Universidade Federal do Paraná). "É biomassa, material vegetal. Isso se decompõe rapidamente e acaba se integrando ao solo", afirma.
Elas impressionam, porém, pela intenção de ocultar o crime de desmatamento.

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