
02/05/2017
As florestas tropicais são frequentemente descritas como os “pulmões da Terra” por sua prodigiosa capacidade de inspirar dióxido de carbono (CO2) e exalar oxigênio. Assim, quanto mais rápido elas crescerem, mais poderão ajudar a combater o aquecimento global ao absorverem grandes quantidades de CO2, justamente o que é apontado como principal gás do efeito estufa emitido pela ação humana.
O problema é que não se sabe como elas reagirão às mudanças climáticas, com previsões de temperaturas mais altas e mais chuvas. Até agora, os cientistas acreditavam que a elevação nas precipitações iria como que “afogar” as plantas, atrapalhando significativamente seu crescimento. Mas um novo estudo que compilou e revisou dados de mais de 150 florestas localizadas nas regiões tropicais do planeta, entre os 23,5 graus de latitude Norte e Sul, colocou de pernas pro ar esta noção, indicando justamente o contrário.
— Nossos dados sugerem que, à medida que os padrões climáticos mudam nos trópicos, e alguns locais ficam mais úmidos e quentes, as florestas vão acelerar seu crescimento, o que é bom para remover carbono da atmosfera — diz Philip Taylor, cientista do Instituto de Pesquisas Árticas e Alpinas da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, e líder do estudo, publicado recentemente no periódico científico “Ecology Letters”. — De certa forma, isso é uma boa notícia, pois podemos esperar uma maior absorção de CO2 nas regiões tropicais onde as precipitações deverão aumentar. Mas há muitas ressalvas.
Os ecologistas há tempos pensam que o crescimento das florestas tropicais segue uma curva em forma de “corcova” quando relacionada com as precipitações: até certo ponto, quanto mais chuva, maior o crescimento. Mas depois de algo como 2.400 milímetros em temporais por ano, achava-se que o excesso de água inundaria o ecossistema, freando a taxa de crescimento das florestas. Mas, enquanto trabalhava na selva da Península de Osa, na Costa Rica, Taylor começou a duvidar desta suposição.
— Aqui estávamos em um lugar onde chove 4.800 milímetros por ano e era uma das florestas mais produtivas e ricas em carbono da Terra. Isso claramente quebrou esta linha de raciocínio tradicional — lembra Taylor.
A matéria pode ser lida em O Globo
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