
09/05/2017
Patrícia Eichler, professora filiada aos programas de pós-graduação em Ciencias Ambientais da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e em Geofisica e Geodinamica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi uma das primeiras brasileiras a integrar o International Ocean Discovery Program e passou 63 dias a bordo do navio Joides Resolution (JR), no Oceano Pacífico, na Western Pacific Warm Pool (WPWP), ao norte da Austrália, para pesquisar sobre o aquecimento global. A partir dessa experiência, a pesquisadora foi convidada para continuar seus estudos, na Universidade de Texas AM, em College Station/EUA, ocasião na qual avaliará a assinatura das massas de água no sedimento do fundo do mar.
“Trabalho com indicadores ambientais marinhos e recentes que fornecem base para estudos atuais e passados da climatologia. Durante o embarque no Joides Resolution, minha expertise contribuiu para o conhecimento da microfauna de foraminíferos bentônicos, que são organismos unicelulares capazes de diagnosticar diferentes subambientes. O JR, navio que perfura a terra para descobrir novas fronteiras na ciência, recuperou 7 km de testemunhos de sedimentos marinhos antigos que foram coletados durante 63 dias,” conta.
“Quando estamos a bordo do navio, nós analisamos apenas uma parcela das amostras, os chamados ‘core catchers’ que constam de uma amostra que é coletada no final do testemunho de 10 metros e que é imediatamente processada por nós, os micropaleontologistas, que trabalhamos com foraminíferos bentônicos, planctônicos e nanofósseis para estimar a idade geológica e o ambiente o qual está sendo perfurado. Fui convidada para dar continuidade à análise desses testemunhos na Universidade do Texas, em junho, também com financiamento da CAPES”, explica Patrícia.
Para Patrícia, a experiência foi enriquecedora. “Foi bom para as relações interpessoais e profissionais. Eu, sendo a única brasileira da expedição, necessitei comunicar-me 24 horas por dia em inglês e fazer relatório das minhas atividades realizadas nas 12 horas anteriores, além de colaborar com pesquisadores de alto renome internacional. Os cientistas com os quais colaborarei nos próximos 10 anos são pessoas que conheci nesse embarque. São pesquisadores com artigos publicados em Revistas Nature e Science, sendo as pessoas de maior competência em suas áreas. Também apresentei oito seminários que envolveram escolas particulares e congressos brasileiros mostrando, ao vivo, o que estava acontecendo no navio com chances de interação entre os alunos e os pesquisadores a bordo.” Uma publicação com dados preliminares obtidos a bordo já está disponível.
Saiba mais no site da Capes
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