
09/05/2017
No veleiro Rainbow Warrior, do Greenpeace, a comida servida para a tripulação é vegetariana e vegana; o esgoto não vai para o mar, mas é tratado na própria embarcação; o motor é quase sempre o vento, mas quando é preciso uma forcinha, a energia elétrica e o diesel são usados com o máximo de eficiência. Nesta semana, parte desta rotina sustentável em alto mar pôde ser conhecida por mais de 6 mil pessoas no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, onde o Rainbow Warrior foi aberto ao público por quatro dias. A visita ilustre na poluída Baía de Guanabara marcou os 25 anos da ONG no Brasil e uma etapa da campanha em defesa de corais recém-descobertos na foz do Rio Amazonas.
O veleiro, que deixa o Rio neste domingo em direção à Espanha, é a terceira geração do Rainbow Warrior e um dos três barcos em propriedade do Greenpeace atualmente. Ele foi especialmente desenhado pela ONG para ser altamente sustentável, sendo inaugurado em 2011. A água do banho, por exemplo, é aquecida por um sistema que reaproveita o calor gerado pela água utilizada no resfriamento de máquinas. Já a água ingerida vem do mar, passando por tratamento no próprio navio. Os resíduos, por sua vez, são coletados seletivamente e destinados a cidades onde serão reciclados.
Na tripulação, que costuma beirar 15 pessoas, a maioria é de voluntários de todo o mundo que ficam a bordo do veleiro por três meses.
— A vida é bem regrada. Todo mundo que dorme e acorda no navio tem que fazer todas as tarefas necessárias. A gente acorda às 7h30, e às 8h começa a limpeza — conta Helena Spiritus, bióloga do Greenpeace que participou de um treinamento no navio. — A gente pegou uma tempestade vindo do Uruguai, e às vezes você tem uma sensação de gravidade quase zero. O corpo sai do chão, mas no próximo segundo todo mundo volta e continua com a vida normal.
Há 32 anos, o primeiro Rainbow Warrior foi abatido por agentes secretos franceses em meio a uma missão na Polinésia Francesa com o objetivo de interromper testes nucleares no Atol Moruroa. O ataque com bombas ao navio do Greenpeace fez uma vítima fatal entre os tripulantes: o fotógrafo português Fernando Pereira.
Depois da tragédia, o Rainbow Warrior ganhou novas “vidas”. No Brasil, a segunda geração do Rainbow Warrior esteve na Rio-92, e a terceira — este veleiro que acabou de visitar o Píer Mauá —, na Rio +20. Desta vez, a passagem pelo Rio marca a mobilização pela proteção dos chamados “Corais da Amazônia” — uma formação com mais de 9.500 quilômetros quadrados que ainda está sendo explorada por cientistas e é vizinha de locais licitados para a exploração de petróleo.
— A gente nem conhece direito esse bioma, e já há uma ameaça potencial. O processo de exploração por si só é perigoso — aponta Renato Guimarães, diretor de engajamento do Greenpeace Brasil. — Estamos pedindo que estas empresas pura e simplesmente desistam da exploração.
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