
23/05/2017
Tanta fartura de água é para irrigar a plantação de pepino de Deusvaldo de Castro. A propriedade fica em Goianápolis, a 50 quilômetros de Goiânia. A água pra irrigação é bombeada desta nascente, nos fundos da propriedade e escorre em abundância entre os talhões.
No período de seca, o Deusvaldo irriga a plantação duas vezes por semana, mas pra alcançar todos os pés de pepino, a água leva quase dez horas. É tanto tempo, que o produtor não faz nem ideia do volume de água que gasta num único dia de irrigação.
César Honório da Silva, engenheiro agrônomo e técnico da Emater, explica que este é um dos sistemas de irrigação que mais desperdiçam água. A cada cem litros que passam por um sulco, apenas 40 ficam disponíveis para a planta. “Parte da água infiltra, parte da água é escorrida, então a planta às vezes não utiliza a água toda, então é preciso um volume muito grande”, explica.
Deusvaldo está fazendo as contas para investir em outro sistema de irrigação: o gotejamento. “Tem que economizar muita coisa, a água, o óleo. E a água no Brasil tá escassa”, declara Deusvaldo de Castro, produtor rural.
Hoje já falta água na região: o Distrito Federal enfrenta uma grave crise hídrica.
Luiz Gonzaga e o sobrinho dele, Luciano Alves, já trabalham com gotejamento há mais de 20 anos. A propriedade da família fica no Núcleo Rural Rio Preto em Planaltina, a 60 quilômetros de Brasília. Eles plantam 7,5 mil pés de tomate. As mangueiras de irrigação passam por toda plantação. Cada pequeno furo libera, no máximo, um litro e meio de água por hora.
O agrônomo Márcio Meireles Machado, da Emater-DF, atende a família e explica que o gotejamento é um sistema mais vantajoso para hortaliças.
“A vantagem dele é que é o sistema mais poupador de água, a eficiência do sistema de gotejamento chega até 98%”, explica Machado.
Mesmo assim, o Luciano teimava em abusar da água, irrigando mais do que o necessário... O agrônomo não estava satisfeito. Queria mais economia. Márcio lançou um desafio no Núcleo Rural Rio Preto: reduzir o consumo de água na irrigação por gotejamento. Em 10 meses, conquistou o apoio de 25 produtores rurais e hoje o grupo conseguiu uma economia de água, em torno de 60%.
A matéria pode ser lida em O Globo
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