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Instituto decidirá em setembro se vai tombar a Ladeira da Misericórdia

20/06/2017

Coração do Rio Colonial, a Ladeira da Misericórdia poderá ser tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): o conselho consultivo do órgão votará a proposta em setembro, conforme informou a coluna Gente Boa, do GLOBO. Hoje, a via, próxima à Praça Quinze, é um cenário de contrastes, pois abriga a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, a mais antiga da cidade (construída em 1567), entre outros tesouros, e um estacionamento. O reconhecimento de sua importância iria, segundo especialistas, ajudar a conservá-la.
—Nós já tombamos a Santa Casa (primeiro hospital do Rio), o Museu Histórico Nacional e a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso. A ladeira, que recebeu calçamento pé de moleque em 1617, ficou perdida em meio a “esses irmãos”. Ela é uma das mais antigas vias da cidade, fazia a ligação do Largo da Misericórdia ao antigo Morro do Castelo, onde ficavam os jesuítas — contou o diretor de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Rosenthal Schlee.
Para que um processo de tombamento chegue à fase de votação são necessários, em média, cinco anos. O da Ladeira da Misericórdia teve início quando pesquisadores apontaram a importância histórica da via e destacaram a necessidade de proteger suas características arquitetônicas.
— Adler Homero, historiador que é especialista em preservação do patrimônio cultural e técnico do Iphan, trabalhou muito nesse processo. A Ladeira da Misericórdia é testemunha do desenvolvimento urbano do Brasil — defende Schlee.
Para Jacques Sillos, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, o processo de tombamento da ladeira pode ser considerado uma boa iniciativa, mas, segundo ele, para a verdadeira preservação de um espaço público, é necessário estimular seu uso pela população.
— Preservar a memória de um ambiente exige um bom tratamento urbanístico. Não é só uma medida burocrática que a assegura, e a sociedade também precisa de conscientização — ressalta Sillos, autor do livro "Rio de Janeiro: 450 anos — Largo da Misericórdia 1565-2015” (Andrea Jakobson Estúdio).

Fonte: O Globo

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