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Baixo índice de áreas verdes da Zona Norte do Rio contraria recomendação da OMS

11/07/2017

Basta uma simples olhada ao redor para perceber que a preservação das áreas verdes, um desafio das grandes cidades, é um problema ainda maior na Zona Norte. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que uma população saudável precisa de três árvores por cidadão, o que representa uma média de 36 metros quadrados de área verde pública de lazer por pessoa. Como atingir a meta ideal não é simples, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o mínimo necessário para viver com segurança seja um terço disso. Mesmo assim, de acordo com dados do Instituto Pereira Passos (IPP), órgão da prefeitura responsável pelo planejamento urbano, boa parte da região ainda está distante deste patamar.
A classificação dos dados, relativos a 2016, leva em consideração as regiões administrativas da cidade. Neste contexto, das 15 áreas com a pior classificação no ranking, dez ficam na Zona Norte, dentro da Área de Planejamento 3, e todas estão fora do índice estabelecido pela agência. A situação mais dramática é encontrada no Jacarezinho, bairro majoritariamente formado por uma comunidade situada em terreno plano, onde a vegetação corresponde a míseros 0,04 m². Em relação a bairros com infraestrutura, Ramos, com apenas 2,68m², aparece na terceira posição geral. Os dados são de 2013, anteriores à realização dos Jogos Olímpicos, e os moradores defendem que o índice piorou desde então, devido às obras relativas ao legado da competição, como o BRT Transcarioca. O geógrafo Hugo Costa lembra que o bairro perdeu várias árvores, removidas para a implantação do corredor expresso e nunca replantadas.
— A Avenida dos Campeões, às margens do Rio Ramos, era repleta de vegetação. A ideia era realocar após a implantação do serviço, mas isto não aconteceu. O BRT Transcarioca previa a derrubada de 319 árvores no bairro, mesmo a Fundação Parques e Jardins tendo citado em seu relatório ambiental que o número já existente era insuficiente para a região. Apenas umas 20 árvores foram replantadas, muitas não sobreviveram. A Rua Emílio Zaluar tinha grandes amendoeiras. Hoje há apenas concreto para suportar o calor do verão — afirma.
O problema tem reflexo imediato na qualidade de vida dos moradores. Segundo dados coletados pela ONG Rio Como Vamos com base em informações prestadas pelo SUS, Ramos e Penha são os bairros com o maior índice de ocorrência de infecções respiratórias agudas em crianças de até 4 anos.
Inaugurado em 2012, o Parque Madureira, criado para ser a terceira maior área de lazer da cidade, com 450 mil metros quadrados, é municipal, não é área de proteção ambiental e também recebe críticas do geógrafo.

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