
01/08/2017
Sete estados brasileiros - Roraima, Pará, Tocantins, Ceará, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso - apresentaram uma alta nas notificações de chikungunya no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado. Essas regiões são contrárias à tendência nacional: o país teve uma queda geral de 42% nos casos da doença.
Os números foram contabilizados até a 52ª semana epidemiológica, que terminou no dia 24 de junho, e foram divulgados pelo Ministério da Saúde. O estado com o maior número absoluto de casos é o Ceará, com 80.045 registros. Já Roraima apresentou a maior alta, de 2.635%, passando de 60 casos nos primeiros seis meses de 2016 para 1.641 neste ano.
Antonio Bandeira, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia, chama a atenção para uma diferença observada entre a zika e a chikungunya -- ambas as doenças são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a dengue.
O médico conta que a zika chegou, se espalhou e infectou uma grande massa. Os números da doença que causa a microcefalia caíram drasticamente no primeiro semestre deste ano: 93%. Todos os estados, exceto Roraima, apresentaram uma queda nos casos da doença. Para o infectologista, a zika já conseguiu atingir seu pico de infecção com um espalhamento maior entre estados.
Já no caso da chikungunya, segundo Bandeira, as infecções ocorrem em grande quantidade, mas "pipocam entre as cidades". Elas dominam uma determinada região e depois retornam. Ele conta que a Bahia, incluindo Salvador, teve uma explosão de casos no primeiro semestre de 2016 -- foram mais de 48 mil notificações de chikungunya no estado, com uma taxa de incidência de 318 casos por 100 mil habitantes -- e neste ano foram registradas 6.541 notificações, uma queda de 86%.
Isso não impediu que, neste primeiro semestre de 2017, outro surto chegasse a Salvador. Um alerta foi emitido pela Diretoria de Vigilância em Saúde da cidade para um aumento nos casos no Subúrbio Ferroviário, em cinco ruas da região, com 171 notificações. Vale lembrar que os pesquisadores apostam que o vírus da chikungunya, assim como o da zika, consegue infectar uma única vez cada pessoa, que cria anticorpos e se torna imune.
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