
17/08/2017
O aumento de temperaturas impulsionado pelo aquecimento global está provocando tempestades cada vez mais intensas, que afetam cidades com inundações repentinas, mas deixam campos e terras agrícolas secos, segundo um estudo australiano. Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW) descobriram que, enquanto o clima mais quente provoca tempestades mais fortes, levando a inundações em áreas construídas, também reduz a umidade no solo, que então absorve rapidamente qualquer excesso e reduz o fluxo de água nos rios rurais.
A extensa análise, publicada na revista Nature Scientific Reports, é baseada em dados de cerca de 50.000 sites de monitoramento de chuvas e rios em 160 países.
- Desse modo, quando os grandes eventos de chuva (...) acontecem, uma maior proporção deles é armazenada no solo, então você tem uma menor proporção saindo como fluxos- disse a professora de hidrologia da UNSW, Ashish Sharma, à AFP.
Os especialistas dizem que a diminuição dos cursos de água nas áreas agrícolas ameaça a agricultura e a segurança alimentar, exigindo atenção urgente em meio a um aumento previsto na população global de 23% nas próximas duas décadas.
A pesquisa aponta que, enquanto isso, a infraestrutura das cidades está lutando para lidar com os aguaceiros mais severos, com danos de inundações no valor de mais de US$ 50 bilhões em 2013 - um número que deverá dobrar nos próximos 20 anos.
- É um duplo golpe- disse o autor principal do estudo, Conrad Wasko, da UNSW.- As pessoas estão migrando cada vez mais para as cidades, onde as inundações estão piorando. Ao mesmo tempo, precisamos de fluxos adequados nas áreas rurais para sustentar a agricultura para abastecer essas populações urbanas em expansão.
Enquanto as inundações extremas estão causando fluxos de água cada vez maiores, as inundações cíclicas regulares estão tendo cada vez menos efeito sobre o lençol freático, explicaram os especialistas. Embora o aumento da intensidade das tempestades variasse em todo o mundo, uma descoberta persistente na pesquisa é que mais chuva não se traduzia em mais água nos sistemas fluviais.
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