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A ciência chega onde o Atlântico abraça o Amazonas

25/08/2017

A conservação e o manejo da rica biodiversidade brasileira passa, necessariamente, pelo desenvolvimento científico e tecnológico nacional. A integração da base de conhecimento construída por pesquisadores brasileiros e a tecnologia disponibilizada para operações submarinas no navio oceanográfico ´Alucia´ abriram novas oportunidades ao entendimento da Margem Equatorial do Brasil. Dados oceanográficos estratégicos, além de mais de 6 mil imagens científicas inéditas desta região foram obtidos e estão sendo processados em universidades e institutos de pesquisa nacionais.
Em julho deste ano, nove pesquisadores brasileiros, incluindo bolsistas de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de seis instituições brasileiras (UFRJ, UFES, UNIFESP, UFRRJ, INPE e JBRJ), em parceria com o Woods Hole Ocenographic Institution (EUA), percorreram mais de 4 mil quilômetros entre o Amapá e o Maranhão em 15 dias, acompanhados por um oficial da Marinha do Brasil.
Estiveram a bordo os bolsistas de produtividade do CNPq, Rodrigo Moura - coordenador da expedição, Alex C. Bastos, Gilberto Amado e Paulo Salomon, além de mais cinco pesquisadores: Fabio Motta, Fernando Moraes, Laís Araujo, Leonardo Neves e Milton Kampel.
Durante a expedição, foram adquiridos dados geofísicos, físico-químicos, biológicos e radiométricos na região do recém-descrito sistema recifal da Foz do Amazonas. Além disso, foram realizadas mais de 20 horas de observações a bordo de dois submersíveis, em profundidades de até 400 metros. "Mergulhar no Cânion do Rio Amazonas a 300 m de profundidade por cerca de três horas e registrar em foto e vídeo a vida tipicamente marinha lá encontrada foi uma experiência única", declara Gilberto Amado pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Dentre os principais resultados desse esforço está a caracterização de vales e cânions ainda não mapeados, registros de esponjas e peixes até então desconhecidos na região, estudos do plâncton associado à mistura das águas do mar e do maior rio do planeta, imageamento das bioconstruções carbonáticas e algas calcárias, e caracterização bio-óptica da região. As atividades foram complementadas por imagens de satélites recebidas no navio em tempo real.
Os resultados, ainda inéditos, fornecerão um panorama detalhado sobre a estrutura dos recifes e das comunidades biológicas a eles associadas. De acordo com Rodrigo Moura, professor da UFRJ, "os dados obtidos alteram significativamente a visão que tínhamos sobre a Margem Equatorial, e trarão elementos importantes para subsidiar medidas para sua conservação e manejo".

Fonte: CNPq

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