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Por águas mais limpas nas praias da Barra

28/09/2017

Cartões-postais da região, as praias podem ter seu horizonte transformado, caso vá adiante um projeto que está sendo desenvolvido pela Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT) cuja pretensão é revitalizar dois dos pontos mais famosos que compõem a paisagem oceânica: além da extensão do píer do Quebra-Mar da Barra, próximo ao Canal da Joatinga, o estudo prevê a instalação de outro na Praia da Macumba. A iniciativa, segundo seus idealizadores, ajudaria a reduzir a poluição da orla na Baixada de Jacarepaguá, e teria financiamento privado. Em ambos os casos, as estruturas abrigariam também estabelecimentos comerciais, fomentando o turismo no entorno das praias. A CCBT acredita que tais polos, somados à melhora na qualidade da água, serviriam para atrair mais visitantes ao local.
Por se tratar de uma região urbana, plana e rasa, a Baixada de Jacarepaguá fica exposta regularmente a agentes climáticos como chuvas torrenciais de verão e ressacas de inverno, que potencializam o risco de enchentes nas áreas do entorno, explica o engenheiro e oceanógrafo David Zee, morador da Barra e vice-presidente da CCBT. Em consequência da ocupação desordenada que ocorreu ao longo dos anos nas encostas, diariamente rios e lagoas da região recebem sedimentos como argila, areia e lixo residencial. Atualmente, diz Zee, o escoamento das águas estagnadas é feito pelo Canal da Joatinga, a leste, e o de Sernambetiba, a oeste, em direção ao mar. Mas, devido ao acúmulo excessivo de resíduos, a saída dos canais acaba ficando assoreada. Com o projeto, a ideia é que esse processo seja facilitado.
— A partir do momento em que estendermos o Quebra-Mar e fizermos as intervenções na Macumba, criaremos uma pedra fundamental de recuperação do complexo lagunar da região. Como os dois locais têm alta visibilidade, a sociedade vai perceber logo os benefícios, o retorno direto em termos de qualidade de vida, e verá que essas obras têm grande valor — afirma Zee, que concebeu o projeto após colher sugestões de outros membros da diretoria da CCBT.
De acordo com ele, o prolongamento do píer na Joatinga ajudaria a impedir o assoreamento da abertura do canal porque toda a poluição que hoje vai para a praia seria lançada mar adentro, mais longe, onde há mais profundidade. Uma curva ao fim da extensão serviria para fechar a área de tal modo que reduziria a intensidade do fluxo das ondas, o que faria com que as embarcações enfrentassem menos riscos de acidentes ao sair pelo canal, e onde haveria espaço para a criação de uma marina.

A matéria pode ser lida em O Globo

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