
17/10/2017
O ex-bolsista de doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Bruno Silva acaba de ter seu estudo publicado na revista American Society of Microbiology. Bruno foi protagonista na pesquisa, que também contou com a contribuição de outros bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado da CAPES e outras agências de fomento como CNPq e FAPERJ.
“Este é o primeiro estudo abrangente sobre vírus no contínuo Rio-Pluma-Oceano Amazônico. Avaliamos que o trabalho terá alto alcance e também será um estudo de base para que novas hipóteses acerca do papel dos microrganismos na ciclagem de carbono e no clima sejam realizados”, explica Fabiano Thompson, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do projeto.
Sobre a pesquisa, o professor explica: “Anualmente, cerca de 28 Teragramas Carbono (um trilhão de gramas de C) são fixados por produtores primários na pluma do Rio Amazonas. Esses valores têm influência no conteúdo de carbono na atmosfera e na água e, portanto, podem influenciar o clima. A partir de 2 expedições concomitantes (uma no rio e outra no mar), estabelecemos panorama sobre a diversidade taxonômica e funcional de vírus da água. Na pluma predominam vírus líticos na pluma e vírus lisogênicos no rio. Naturalmente, este padrão tem implicações para a ciclagem de matéria e energia no contínuo Rio-Pluma-Oceano. No rio, os vírus podem acelerar a evolução de seus hospedeiros (predominantemente eucariontes), incorporando material genético no genoma de seus hospedeiros ou otimizando o metabolismo dos hospedeiros. Já na pluma/oceano, líse predomina, fazendo com que as células liberem material intracelular e nutrientes na água, o chamado "virus chunt", no qual nutrientes retornam para as comunidades microbianas.”
Segundo Fabiano, a análise feita é altamente importante. “De modo geral, mesmo nos países desenvolvidos tais como EUA, Canadá, França e Japão, estudos voltados ao entendimento do papel dos vírus nos oceanos são extremamente restritos. Neste cenário, somos protagonistas importantes, mas ainda falta muito: investimentos em novas tecnologias (submarinos, robôs, sequenciadores de DNA, clusters computacionais), embarcações para expedições/coletas, recursos de custeio e recursos humanos são necessários. O investimento em ciências do mar no Brasil ainda é pequeno.”
O estudo de Bruno Silva foi realizado no âmbito do Edital IODP/CAPES-Brasil nº38/2014. Neste sentido, Fabiano Thompson destaca a importância de apoios como os recursos destinados ao projeto. “Este suporte é importantíssimo. O programa IODP/CAPES-Brasil vem desenvolvendo um trabalho de excelência e talvez seja hoje o principal programa de Ciências do Mar no país. É uma iniciativa organizada, dinâmica e com foco em questões relevantes para a sociedade.”
De acordo com o professor, os próximos passos compreendem o retorno para a região Amazônica para ampliar os estudos naquela região. “Estamos empenhados em alavancar estudos científicos na região amazônica e envidaremos esforços para alcançar novas metas com o apoio da CAPES”, finaliza.
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