
21/11/2017
Sequenciar o genoma de toda a vida na Terra. Este é o objetivo do Earth Biogenome, um ambicioso projeto multibilionário previsto para ter início em 2018. A ideia é montar uma rede global de colaboradores para a coleta de amostras de todas as espécies eucarióticas do planeta — com células que possuem núcleo, dos reinos Animalia, Plantae, Fungi, Protista e Chromista —, que serão analisadas com as mais modernas técnicas de sequenciamento. O cronograma prevê que, num prazo de dez anos, seja construída uma grande biblioteca genômica, a "Arca de Noé" do terceiro milênio.
— Nós queremos clarificar a árvore da vida — explica Harris Lewin, geneticista da Universidade da Califórnia, em Davis, que idealizou o projeto ao lado de Gene Robinson, diretor do Instituto Carl R. Woese para Biologia Genômica, da Universidade de Illinois, e John Kress, do Museu Nacional de História Natural. — Nós poderemos organizá-la não apenas por traços ou características dos organismos, mas pelo DNA. Isso vai nos permitir identificar relações precisas para melhor compreender a biodiversidade e a origem das espécies.
Pela dimensão, o Earth Biogenome vem sendo comparado ao Projeto Genoma Humano, que levou 13 anos para identificar e mapear todos os genes do DNA humano. Encerrado em 2003, ele criou as bases tecnológicas para que agora, quase 15 anos depois, um salto ainda mais ambicioso fosse dado. Ao todo, estima-se que o planeta tenha 1,5 milhão de espécies eucarióticas conhecidas, e outras milhares ou milhões de desconhecidas.
— Esse é um dos gargalos do projeto: a gente não sabe o tamanho real da nossa biodiversidade — comenta a professora do Instituto de Biociências da USP Marie-Anne Van Sluys, que representa o Brasil no grupo de pesquisadores que discutem o projeto. — Com as desconhecidas, o número de espécies pode ser de 2 milhões ou 10 milhões. Com o avanço dos trabalhos, a dimensão pode mudar completamente.
O projeto é dividido em três fases. A primeira, com duração estimada em três anos, prevê o sequenciamento de um membro de cada uma das cerca de 9.300 famílias eucarióticas. Na segunda, a análise será de um espécime de cada um dos 200 mil gêneros; e, na terceira, todas as 1,5 milhão de espécies.
O custo é estimado em US$ 4,3 bilhões, distribuídos ao longo de dez anos. Apesar do montante ser significativo, Lewin acredita que levantar fundos não será problema, já que o projeto reúne universidades, institutos de pesquisa e governos de vários países. O geneticista também compara o Earth Biogenome ao Genoma Humano, que custou à época US$ 2,7 bilhões, que em valores atualizados para 2017 somam US$ 4,8 bilhões.
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