
23/11/2017
Em matéria de automobilismo, faz tempo que o Rio virou retardatário, desde que o Autódromo de Jacarepaguá começou a dar lugar ao Parque Olímpico, em 2012. Mas a prefeitura quer sair do pit stop e iniciar uma corrida de recuperação construindo um novo circuito em Deodoro. A ideia, que já foi contestada e até embargada pela Justiça na gestão anterior, de Eduardo Paes, pode agora sair do papel. Em março, o prefeito Marcelo Crivella lançou um chamamento público para a elaborar um estudo técnico de implantação, operação e manutenção do que chamou de Autódromo Parque, que seria integrado ao Parque Radical de Deodoro.
Segundo o município, o Consórcio Rio Motorsport, formado pelas empresas Crown, CSM Sport & Entertainment e Tilke E&A, aderiu ao Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), no valor de R$ 11 milhões e tem até abril de 2018 para entregar a análise que vai orientar um edital de licitação de uma Parceria Público-Privada.
Mas, para dar a largada, o projeto terá que enfrentar ambientalistas. No lugar de pistas de velocidade, eles defendem que a área de Mata Atlântica seja transformada no Parque Natural Municipal de Camboatá. A própria Federação de Automobilismo do Estado do Rio (Faerj), diante dos contratempos do passado, já dava o terreno da Zona Oeste como fora da corrida para a instalação do autódromo. Para a entidade, a ideia seria turbinada se fosse prospectado um outro espaço para os amantes da velocidade.
O presidente da Faerj, Djalma Neves, um dos líderes do Movimento Pró Autódromo, acha que não se deve “insistir em Deodoro”. Ele sugere como alternativa outras regiões na Zona Oeste, como terrenos particulares em Guaratiba e no Recreio dos Bandeirantes, ou mesmo uma área próxima à Avenida Brasil, em Santa Cruz.
— O Rio precisa de uma arena autossustentável, com uma área maior do que a de um autódromo. Isso estaria totalmente de acordo com o projeto de levantar o Rio através do turismo. Costumo dizer que deveria ser um lugar que teria até corridas. Porque nele poderiam acontecer cursos direção defensiva, testes de montadoras de automóveis e da indústria de pneus... Enfim, uma série de atividades que hoje vão para cidades como São Paulo, Goiânia e Curitiba — afirma Neves.
Já a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) diz que não cabe a ela aprovar a área para o autódromo. Mas afirma que se coloca à disposição do município para auxiliar nesse processo com a expertise de seus profissionais.
— O Rio é um dos principais centros econômicos e turísticos do Brasil. E sempre teve atuação determinante em nossa modalidade. Reposicionar a cidade no mapa do nosso automobilismo é fundamental para colocar o esporte a motor nacional no lugar de onde nunca deveria ter saído — afirma o presidente da CBA, Waldner Bernardo de Oliveira.
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