
11/01/2018
Casos de cobras circulando em ambientes urbanos têm assustado moradores do Rio de Janeiro. Só no último mês, elas foram encontradas no Aeroporto Santos Dumont, no Centro, na Gávea, na Zona Sul, e na Barra da Tijuca. De acordo com o biólogo especialista em répteis do RioZoo, Marco Nassau Kayo, de 30 anos, a localização geográfica da cidade é o principal fator para a presença dos animais.
— O Rio é uma cidade localizada entre grandes florestas, como o Parque da Pedra Branca e a Floresta da Tijuca, por exemplo. Então, naturalmente, cobras e outros animais silvestres da Mata Atlântica podem aparecer nas ruas da cidade. As aparições são normais — explica.
Dois outros fatores, entretanto, podem intensificar as aparições: o calor, capaz de alterar o comportamento dos animais, e a entrada cada vez maior das pessoas em áreas de vegetação, habitat natural das cobras. Além disso, o biólogo coloca a presença constante de roedores, como ratos e gambás, como outro atrativo para elas adentrarem os espaços urbanos em busca de alimentos, já que são as suas principais presas.
No último sábado, moradores flagraram uma jiboia no Baixo Gávea. O biólogo destaca que essa espécie não é peçonhenta e comumente é encontrada no Jardim Botânico e no Alto da Boa Vista, áreas de mata que ficam próximas ao bairro da Zona Sul. Segundo Kayo, por ser muito grande — algumas chegam a alcançar mais de dois metros de comprimento —, as pessoas se assustam ao vê-las.
No dia 18 de dezembro, uma mulher foi picada no calcanhar por uma cobra jararaca no estacionamento do Aeroporto Santos Dumont, no Centro. Por sorte, segundo o especialista, o réptil deu o que chamama de "bote falso" e não eliminou o veneno. Já a aparição na Barra da Tijuca aconteceu na calçada do edifício coorporativo localizado na Avenida João de Cabral de Mello Neto. A cobra foi retirada por agentes da prefeitura, e sua espécie não foi informada. Em média, são registrados 700 acidentes com cobras no estado do Rio por ano.
O especialista do RioZoo alerta que, ao avistar um animal peçonhento, a orientação é nunca pegá-lo com as mãos nem tentar dominá-lo de qualquer outra forma. Deve-se manter uma distância segura do animal e entrar em contato com o Corpo de Bombeiros (no telefone 193) para fazer o resgate.
Em caso de picada com inoculação do veneno, Kayo orienta que a pessoa mantenha a calma, fique sentada. Caso a perna seja picada, por exemplo, ela deve ser colocada para cima e apoiada sobre algum móvel. O biológo alerta ainda que é importante lavar bem o local pois, mesmo sem veneno, a picada pode causar infecção. Além disso, é essencial ligar para o Corpo de Bombeiros que encaminhará a vítima para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, referência no Rio que tem o soro antiofídico.
— As pessoas nunca devem sugar o veneno com a boca, fazer um torniquete, passar borra de café ou pasta de dente, como muitas vezes recomendam. Isso pode agravar ainda mais a situação. Essas teorias das redes sociais não são verídicas — alerta.
Para evitar a aproximação de cobras, é importante manter os locais limpos e evitar os tradicionais abrigos para cobras, como telhas e lixos acumulados.
Fonte: O Globo
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