UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
‘Sopa de lixo’ no Pacífico tem três vezes tamanho da França

27/03/2018

Numa área remota do Oceano Pacífico, entre a costa da Califórnia e o Havaí, o movimento das correntes marinhas concentra grande parte do lixo descartado em rios e mares. E a quantidade é tamanha que a região foi apelidada como Grande Mancha de Lixo do Pacífico ou, como ficou popularmente conhecida, “ilha de plástico”. Mesmo a centenas de quilômetros de qualquer grande cidade, ela reúne garrafas, brinquedos, carcaças de produtos eletrônicos e redes de pesca abandonadas, entre outros objetos. A estimativa é que existam 1,8 trilhão de detritos — o equivalente a 250 para cada ser humano no planeta —, que se espalham por 1,6 milhão de quilômetros quadrados, três vezes o tamanho da França continental.
A Grande Mancha de Lixo do Pacífico foi descrita pela primeira vez em 1997, mas estimativas sobre seu tamanho e composição eram falhas devido à dificuldade na coleta de informações. Apesar do apelido “ilha de plástico”, não existe uma superfície na qual se possa caminhar. O lixo fica misturado à água, como numa sopa, e a maioria dos detritos é tão pequena que eles não podem ser observados por satélites.
Para contornar essa barreira, uma equipe internacional de cientistas liderada pela ONG The Ocean Cleanup Foundation, com apoio de pesquisadores de seis universidades, executou o mais abrangente levantamento in loco. Entre julho e setembro de 2015 eles realizaram 652 coletas de materiais com redes de superfície, num esforço que envolveu 18 embarcações. No ano seguinte, duas missões aéreas cobriram uma área de 311 quilômetros quadrados, formando um mosaico com 7.298 fotografias tiradas a apenas 400 metros de altitude.
Os resultados foram publicados nesta semana na revista “Scientific Reports”. Ao todo, a expedição coletou 1.136.145 amostras de lixo, sendo 99,9% peças plásticas. Extrapolando para a área total, os cientistas estimaram a existência de 1,8 trilhão de fragmentos plásticos de diversos tamanhos, sendo 94% deles classificados como microplásticos, com menos de 5 milímetros de diâmetro. O peso estimado do lixo na região é de 79 mil toneladas — entre quatro e 16 vezes o estimado anteriormente por outros estudos —, mas os microplásticos representam apenas 8% da massa total. As redes de pesca abandonadas, conhecidas como “redes fantasmas”, respondem por 46% da massa total de lixo.
— Fomos surpreendidos pela quantidade de grandes objetos de plástico que encontramos — disse Julia Reisser, cientista-chefe da expedição. — Nós pensávamos que a maior parte dos detritos fosse de pequenos fragmentos, mas essa análise joga nova luz sobre o escopo do lixo.

A matéria foi originalmente publicada em O Globo

Novidades

Câmara do Rio aprova plano de arborização específico para as favelas

17/09/2026

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta-feira (16) um projeto de lei que cria uma ...

Caso de homem atacado por morcego-vampiro é descrito pela ciência; entenda o comportamento

17/09/2026

Eles não atacam o pescoço em pleno voo, como nos filmes, nem têm os seres humanos como suas presas p...

Pesquisa inédita no Brasil vai rastrear baleias-jubarte por satélite e mapear risco de atropelamentos por navios no litoral do ES

17/09/2026

Na próxima temporada de reprodução das baleias-jubarte, dez delas terão um pequeno transmissor preso...

Pescadores pedem tombamento de pedral em rio para vetar hidrovia no Pará

17/09/2026

O pescador Ernandes Silva, 52, relata o medo de perder sua fonte de sustento diante de um projeto de...

VÍDEO: Manaus amanhece encoberta por fumaça pela 3ª vez em menos de 10 dias; qualidade do ar chega a nível péssimo

17/09/2026

A qualidade do ar voltou a piorar em Manaus na manhã desta quinta-feira (17). Por volta das 7h30, to...

Governo define regra para abolir licença ambiental em pesquisa de minerais

17/09/2026

O governo Lula está prestes a criar uma regra nacional para liberar atividades de pesquisa de minera...