
24/04/2018
Os humanos modernos (Homo sapiens), os neandertais e outras espécies humanas arcaicas têm caçado outros mamíferos de grande porte, e impulsionado a redução de seu tamanho pela extinção, há pelo menos 90 mil anos mais do que se pensava, afirma estudo publicado nesta quinta-feira na revista científica “Science”.
Imensos mamutes, preguiças do tamanho de elefantes e enormes tigres-dentes-de-sabre são alguns dos exemplos mais conhecidos de grandes mamíferos, a chamada “megafauna”, que viveram na Terra entre 2,6 milhões e 12 mil anos atrás. Até agora, pesquisas prévias sugeriam que estes grandes mamíferos começaram a desaparecer mais rápido que seus “primos” menores – num fenômeno conhecido como “extinção por viés de tamanho” - na Austrália há cerca de 35 mil anos.
Mas com a ajuda de novos dados trazidos por fósseis mais antigos e registros geológicos, o novo estudo estima que estas extinções por viés de tamanho começaram há pelo menos 125 mil anos na África. Naquela época, o tamanho médio dos mamíferos africanos já era 50% menor dos de outros continentes, relata o estudo, apesar de grandes massas de terra tipicamente sustentarem mamíferos de maior porte.
E à medida que os humanos se espalharam pelo planeta a partir da África, outras extinções por viés de tamanho começaram a acontecer em regiões e épocas que coincidem com os padrões da migração humana, dizem os pesquisadores. Assim, com o tempo, o tamanho médio dos mamíferos nos outros continentes se aproximou e depois caiu para bem menos dos vistos nos mamíferos africanos. E as espécies que sobreviveram a esta “caçada” eram geralmente muito menores que as que foram extintas.
Segundo os pesquisadores liderados por Felisa Smith, da Universidade do Novo México, nos EUA, a magnitude e escala destas recentes extinções por viés de tamanho superam em muito as registradas nos últimos 66 milhões de anos, desde o fim dos dinossauros.
- Não foi até os humanos começarem a se tornar uma importante variável que o tamanho do corpo fez alguns mamíferos mais vulneráveis à extinção – resume Kate Lyons, pesquisadora da Universidade do Nebraska na cidade de Lincoln, também nos EUA, e uma das coautoras do estudo junto com colegas das universidades de Stanford e da Califórnia em San Diego, ainda nos EUA. - Os registros antropológicos indicam que o Homo sapiens surgiu como espécie há pelo menos 200 mil anos, então isso aconteceu não muito depois de nosso aparecimento como espécie. Parece ser apenas algo que fazemos. E do ponto de vista da história da vida, isso faz certo sentido. Se você mata um coelho, vai alimentar sua família naquela noite. Mas se você mata um grande mamífero, vai alimentar a vila inteira.
Por outro lado, os pesquisadores não acharam sinais que apoiem a noção de que mudanças climáticas impulsionaram as extinções por viés de tamanho nos últimos 66 milhões de anos. Tanto grandes quanto pequenos mamíferos se mostraram igualmente vulneráveis às alterações na temperatura do planeta neste período, afirmam.
- Se o clima estivesse causando isso, esperaríamos ver estas extinções ou algumas vezes divergindo dos padrões de migração humana pelo planeta ou sempre se alinhando a claros eventos climáticos nos registros – argumenta Lyons. - E as extinções não fazem nenhuma dessas duas coisas.
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