
12/07/2018
A Monsanto deliberadamente ocultou os riscos de seu herbicida de glifosato? Essa é uma das perguntas que um tribunal americano examinará a partir desta segunda-feira no julgamento movido por um indivíduo com câncer em estágio terminal.
Embora haja milhares de processos em andamento nos Estados Unidos contra a gigante agroquímica, a denúncia de Dewayne Johnson, americano de 46 anos, que trabalhou fumegando Roundup por mais de dois anos, é a primeira relacionada com este produto e seus possíveis efeitos cancerígenos a ser julgada.
O processo teve início oficialmente em meados de junho com a designação de um juiz, mas os debates aprofundados começam nesta segunda-feira, depois de uma série de audiências técnicas. Ele está previsto para durar três semanas em San Francisco, na costa oeste do país.
Vendido há mais de 40 anos, o Roundup, um dos pesticidas mais usados no mundo, contém glifosato, uma substância muito controversa que é alvo de estudos científicos contraditórios sobre seu caráter cancerígeno.
A Monsanto, que poderia ser obrigada a pagar milhões de dólares em reparação de danos, sempre negou qualquer ligação entre o câncer e o glifosato.
Dewayne Johnson "luta por sua vida" depois de ter sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin incurável há dois anos, afirma um de seus advogados, David Dickens, do escritório Miller, especializado na defesa de vítimas de produtos com defeitos.
— Não foi um azar, não se deve a um problema genético, é por sua exposição contínua ao Roundup e ao Ranger Pro (produto similar da Monsanto), que ele pulverizou entre 2012 e 2014 nos terrenos escolares da cidade de Benicia, na Califórnia (oeste) — garante Dickens. — Isso poderia ter sido evitado — acrescenta o advogado, acusando a Monsanto, que acaba de ser adquirida pela alemã Bayer, de deliberadamente ocultar do público os riscos de seus produtos.
Os advogados de Johnson ainda não estabeleceram o valor que pretendem reivindicar, mas falam de uma "ação de vários milhões de dólares".
No entanto, o processo não será fácil para Johnson. Seus advogados terão que provar uma ligação entre sua doença, que causa muitas lesões na pele, e a fumigação do glifosato.
A pergunta é: "a exposição de Johnson ao glifosato causou o câncer? (...) Não causou câncer", diz Sandra Edwards, do escritório Farrella, Braun e Martel, um dos advogados da Monsanto.
A matéria foi publicada em O Globo
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