
18/09/2018
O pensamento costuma ser afugentado com temor: como você gostaria de realizar seu funeral? O assunto é tabu no Brasil, mas nos Estados Unidos e no Canadá, desde 2006, o Green Burial Council (Conselho Verde de Funerais) coloca o pudor de lado para debater que tipo de legado as pessoas querem deixar em seu último ato na Terra.
Essa preocupação se dá porque, se o funeral não for realizado corretamente, o corpo libera gases que podem contaminar a atmosfera, formando ácido sulfúrico, o que causa a “chuva ácida”. Contudo, muito além de fazer bem ao ambiente, os funerais ecológicos podem ajudar familiares e amigos a processar a dor da partida de um ente querido.
Há quem queira, por exemplo, ser enterrado junto a uma semente, para ter uma árvore no lugar da lápide; assim forma-se um bosque no lugar das construções lânguidas dos cemitérios. Com essa preocupação, o Rio ganha, na próxima semana, seu primeiro cemitério ecologicamente correto.
O complexo cemiterial da Penitência, no bairro do Caju, inaugura no dia 26 uma área que usa tecnologia pioneira na América Latina. A construção vertical terá varandas abertas para a área verde externa, diminuindo o consumo de energia elétrica para iluminação e criando um espaço mais agradável para familiares.
As gavetas, de um tipo de resina feita de fibra de coco e garrafas PET, são vedadas e fixadas a uma estrutura de metal que as conecta a um complexo de tubos de gás. Um sistema de filtros em três fases capta e quebra as moléculas que contêm enxofre, devolvendo ao ar atmosférico hidrogênio e oxigênio. Os gases liberados na cremação são filtrados de forma a não liberar poluentes. Tudo é monitorado em tempo real por um software que alerta caso aconteça qualquer falha que leve ao vazamento dos poluentes.
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