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Da tamarineira ao coqueirão, as árvores que fazem parte da história do Rio

25/09/2018

Com entusiasmo, Ubirajara Félix do Nascimento, mais conhecido como Bira Presidente, desenterra o passado fértil. A história está bem plantada na memória: foi há quase seis décadas que os olhos do sambista de 81 anos toparam com os troncos largos de duas tamarineiras, num terreno em Olaria. Algo mágico aconteceu, ele conta. À época, a conselho da mãe-de-santo Menininha do Gantois (“Ela dizia que eu tinha que buscar um lugar com uma árvore forte”, conta), o carioca largou um emprego como funcionário público e se instalou sob os galhos resistentes. Ali, fundou o bloco Cacique de Ramos, onde frutificaram nomes como Jovelina Pérola Negra, Beth Carvalho, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, além do próprio grupo Fundo de Quintal, do qual faz parte. Hoje, a espécie frondosa é atração à parte no terreiro: aos domingos, durante as rodas de samba, todos querem encostar em seus troncos, que têm a parte de baixo pintada de branco.
— Quem passa por aqui é agraciado pelas árvores, de alguma forma. Gente de todo o Brasil vem fazer pedidos. Em dias de feijoada, recebemos uma média de 15 ônibus. Fica até difícil circular — ressalta o bamba.
Em outros cantos do Rio, o mesmo enredo se ramifica por linhas tortas. Da Zona Sul à Zona Norte, uma gama de cariocas também cultiva, com afinco, relações carinhosas com outras gigantes verdes. Neste Dia da Árvore, véspera do início de mais uma primavera, alguns causos afetuosos ganham estas folhas. E arrancam sorrisos.
Diante de um tamboril gigante no Aterro Flamengo, normalmente confundido com um flamboyant, Amaralina Fagundes não esconde os dentes. Com os pés descalços sobre a grama, a mulher costuma repetir um mantra embalado pelo termo “gratidão”. A espécie, na altura da Rua Silveira Martins, chama atenção principalmente aos domingos, quando as pistas estão fechadas para os carros e ela vira ponto de escaladas e brincadeiras em família. É ali que, todo último domingo de cada mês, a professora de acrobacia aérea oferece aulas em tecidos presos nos caules avantajados. Certa vez, um grupo de 70 pessoas revezava os aparelhos — e os troncos, é claro.

A matéria pode ser lida em O Globo

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