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Construções em áreas de proteção ambiental preocupam prefeitura de Ilha Grande

04/10/2018

Santuário ecológico com 194 quilômetros quadrados, a Ilha Grande, na Costa Verde fluminense, já começa a sofrer com desmatamentos para construções. A prefeitura vem tentando conter o avanço de moradias em localidades como a Rua das Flores, na Área de Proteção Ambiental (APA) Tamoios. O secretário municipal de Ambiente de Angra, Mário Reis, já constatou a ameaça e busca uma solução para impedir que novas construções sejam erguidas. Segundo ele, a partir de 40 metros acima do nível do mar (a chamada Cota 40), não é permitida qualquer obra:
— Acima da Cota 40 é área congelada. Somente ocupações que surgiram antes do Plano Diretor de 1991 podem permanecer. A Ilha Grande ficou um pouco abandonada. Assumimos com a prefeitura quebrada. Ela funcionava somente meio expediente. Não é só a Rua das Flores que enfrenta o problema de invasões. O Saco do Céu também. Compramos um drone e, com a ajuda de uma lancha, estamos realizando o monitoramento da região. Fazemos o mesmo na Vila do Abraão, duas vezes por semana. Além disso, entramos com ações cíveis na Justiça para demolir as residências irregulares. As que são flagradas em construção derrubamos imediatamente.
De acordo com Reis, o cinturão verde de proteção à Mata Atlântica foi desconfigurado:
— Há ocupações em áreas proibidas.
A atual gestão do Parque Estadual da Ilha Grande também afirma que faz o monitoramento da área com agentes, embarcações e drones.
— O Parque Estadual da Ilha Grande tem 120,5 quilômetros quadrados. Além disso, há a Reserva Biológica Praia do Sul , a Reserva de Desenvolvimento Sustentável e a uma APA ( Área de Proteção Ambiental ). É uma sobreposição de unidades de conservação. Mas, via de regra, o que é menos restritivo é exatamente essa parte mais adensada, voltada para o continente — explica o gestor do parque, Tércio Barradas.
Moradores da Vila do Abraão estão incomodados com a situação. Só na localidade há 64 agências de turismo, legalizadas e irregulares. A preocupação da associação de moradores é que a grande oferta atraia mais pessoas para a ilha, favorecendo a ocupação desenfreada. Nos últimos dois meses, fiscais do Parque Estadual da Ilha Grande multaram 31 pessoas por infrações ambientais.

A matéria pode ser lida em O Globo

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