
09/10/2018
Seria a trama perfeita para um filme de ficção científica: planta que habita rio cercado de florestas impenetráveis em país longínquo é levada por explorador para adornar lagos em seu país. No entanto, a planta exótica era na verdade um ser alienígena que agora ameaça a vida no mundo civilizado.
Bem, na vida real, plantas podem sim causar estragos quando inseridas em habitats diferentes dos seus. O aguapé da Amazônia, apelidado de "praga verde", é uma delas. Mas cientistas ouvidos pela BBC News Brasil disseram que, no caso do aguapé, a trama pode ter final feliz. Essa planta pode ser a solução para despoluir rios mundo afora e ainda produzir etanol e materiais plásticos, dizem eles.
"Na Flórida, ela é considerada uma espécie invasiva sem controle. No Brasil, para se ter uma ideia, várias represas de São Paulo estão tendo problemas de navegação e geração de energia, turbinas estão sendo paradas, especialmente no rio Tietê", disse Alcides Lopes Leão, pesquisador da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
"É a planta que cresce mais rapidamente de todo o mundo. Por causa das mudanças climáticas, ela pode se tornar um problema global, pode vir parar aqui no nosso quintal (no Reino Unido). Não deveríamos lutar contra ela, mas achar formas de conviver com ela e torná-la útil", disse Parvez Haris, professor da Escola de Ciências Aliadas da Saúde na Universidade Montfort, na Inglaterra.
A Eichhornia crassipes, ou aguapé, é uma bonita planta aquática flutuante, com grandes folhas redondas. Quando floresce, produz flores azul-arroxeadas.
Natural da bacia amazônica, até recentemente era vendida como planta ornamental em lojas de jardinagem europeias, mas foi banida no continente por seu potencial nocivo ao meio ambiente.
Sabe-se há muito tempo de sua capacidade de retirar toxinas da água. No entanto, tentativas anteriores de utilização da planta para despoluir rios tiveram resultados desastrosos: experimentos fugiram do controle de cientistas, e a planta passou a se proliferar de forma desenfreada nos locais onde foram feitos os estudos. O resultado disso foram rios entupidos, onde não se pode pescar, cheios de moscas e impossíveis de navegar.
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