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Estudantes britânicos faltam às aulas para protestar pelo clima

19/02/2019

Milhares de estudantes britânicos faltaram às aulas nesta sexta-feira para participar de protestos nos quais afirmaram que os adultos não estão fazendo o suficiente para combater a crescente ameaça das mudanças climáticas e para exigir mais ação para proteger seu futuro.
“Vamos voltar para a escola quando vocês esfriarem o tempo”, dizia cartaz na Praça do Parlamento em Londres, um dos mais de 60 locais em que ocorreram manifestações no Reino Unido, informou a “Youth 4 Climate” (jovens pelo clima, numa tradução livre), que organizou os protestos.
Os jovens manifestantes – alguns em seus uniformes de escola – assobiaram, cantaram e exibiram cartazes, e eventualmente fecharam o trânsito, do lado de fora do Parlamento britânico, e em dado momento subiram num dos tradicionais ônibus de dois andares da capital do país demandando “mudança agora!”.
Orla de Wardener, 10 anos, disse ter sido inspirada pelo exemplo de Greta Thunberg, estudante sueca de a 16 anos cujas manifestações contantes do lado de fora do Parlamento da Suécia ajudaram a espalhar o movimento internacional de estudantes.
- Fiquei totalmente fascinada por ela. Ela é demais – disse Wardener, aluna da Escola Primária de Weston Park, perto de Finsbury Park, no Norte de Londres, contando ter lido sobre a jovem sueca numa revista de ciência para crianças.
Os adultos não agem contra as mudanças climáticas porque “estão ligados demais ao seu dinheiro e seu trabalho. Eles não se importam”, avaliou Wardener vestindo um chapéu com um urso polar e segurando um cartaz colorido à mão com os dizeres “Seu fracasso, nosso futuro”. Já os políticos, afirma, “vivem sua e vida e não veem muito por que lutar pelo futuro”.
Iris Adderley, sua colega de nove anos, diz estar preocupada com a aceleração das extinções na natureza, e com o risco de elevação do nível do mar, o que pode inundar o país.
- Os adultos simplesmente não pensam o bastante nisso – opinou.
Já Nora Mackay, 15 anos, estudante na Escola Graveney, em Tooting, Sul de Londres, disse que a direção de seu colégio desencorajou os jovens a participarem do protesto, “mas mesmo assim todo mundo está aqui”.
- Meus pais me disseram para eu vir para a manifestação. O futuro do mundo é mais importante que um dia de aulas – acrescentou entre dezenas de colegas de sala com cartazes na praça.
Christiana Figueres, que era chefe da área de clima da ONU quando o Acordo de Paris foi assinado em 2015, disse esperar que os políticos ouvissem “a comovente voz dos jovens e estudantes, que estão tão preocupados com seu futuro”. Segundo ela, o fato de as crianças sentirem ser necessário fazer uma greve para chamar a atenção para o problema “é um sinal de que estamos fracassando em nossa responsabilidade de protegê-las dos piores impactos das mudanças climáticas”.
John Sauven, diretor executivo da organização ambiental Greenpeace UK, disse que os estudantes estavam entrando em ação porque “os jovens sabem que suas vidas vão ser mudadas radicalmente pelos impactos das mudanças climáticas”.

Leia mais em O Globo

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