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Voluntários se recusam a deixar Brumadinho após um mês da tragédia: ´Tememos que seja esquecida´

26/02/2019

Sob chuva e muito calor, a brigadista de resgate de fauna Luciana Pordeus dava feno a cavalos tirados da lama em Brumadinho enquanto, por telefone, se informava sobre o destino de outros animais. Estes resgatados nas zonas evacuadas depois, devido ao risco de rompimentos de outras barragens em Minas Gerais.
Luciana está entre os muitos voluntários que trabalham desde as primeiras horas após a tsunami de rejeito da Vale matar 177 pessoas, deixar 133 desaparecidas e devastar o Rio Paraopeba há exato um mês.
Gente como ela trabalha por solidariedade. Muitos são veteranos do desastre de Mariana, causado pela barragem de Fundão, da Samarco, controlada pela Vale e a BHP Billiton.
— Impossível expressar com exatidão o que me move, mas não consigo assistir passivamente ao sofrimento, sem oferecer ajuda — diz ela.
Luciana também organiza uma campanha para comprar equipamentos para os bombeiros e remédios para o tratamento dos cães de resgate feridos em ação. Como ela, são veteranos da tragédia de Mariana os brigadistas da Cruz Vermelha de Minas Gerais Duda Salgueiro e Daniel Duarte de Souza.
Os dois chegaram logo após a Barragem I da mina de Córrego do Feijão se romper e participaram do resgate de vítimas, antes que os voluntários fossem retirados dessa função. A Cruz Vermelha ainda oferece apoio às famílias.
— Foi preciso tanta gente morrer para Minas descobrir que barragens são perigosas. Mariana foi esquecida. Tememos que Brumadinho também seja — afirma Souza, de 41 anos e voluntário desde os 18.
Em Parque da Cachoeira, os dois conversam com os moradores que ficaram no povoado, antes conhecido por ser um lugar de sítios e chácaras e agora tomado pela lama. Carros retorcidos e destroços de casas permanecem do jeito que a onda da Vale os deixou há um mês. A lama formou uma várzea e o único movimento é o do rio, que corre com lentidão, um filete que abre caminho no rejeito.
— É muito abandono. Aqui e em Mariana. Lá as vítimas foram estigmatizadas com o passar do tempo. Não podemos deixar a mesma coisa acontecer de novo — frisa Duda.

Leia mais em O Globo

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