
12/03/2019
Quando uma medida de punição vem acompanhada de uma alternativa de integração social, o resultado pode ser uma mudança radical na vida de indivíduos e suas famílias. Foi o que aconteceu cinco anos atrás no município de Rio Bonito, próximo a Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nos fundos de sua casa, Jocenir Brantes do Amor Divino sempre viveu da produção de carvão vegetal, a partir da derrubada de árvores. Embora ilegal, a atividade era bastante comum na região, ocupada por muitos posseiros. No entanto, Braçanã de Cima, bairro onde Jocenir e sua família residem, está localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Municipal Serra do Sambê, com cerca de 30 milhões de metros quadrados e cinco unidades de conservação.
Importante reserva de Mata Atlântica e refúgio ecológico, a região sempre foi alvo de blitz ambiental para coibir a derrubada da mata para a fabricação de carvão. Foi numa dessas operações de fiscalização da Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade, dirigida pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), em parceria com o Batalhão de Polícia Florestal, que Jocenir Brantes foi detido. Além de crime ambiental, a produção de carvão vegetal é profundamente nociva à saúde e, não raro, utiliza mão-de-obra infantil. A queima parcial da madeira libera substâncias potencialmente tóxicas, como monóxido de carbono, amônia e metano; além disso, o material fino (ou fuligem) é o poluente de maior toxicidade, pois atinge as porções mais profundas do sistema respiratório.
Representante da quarta geração de carvoeiros, e ciente de que a atividade era ilegal, Jocenir nunca havia considerado se dedicar a outra atividade para sustentar a esposa e os dois filhos. Quem apresentou uma alternativa de renda sustentável à família foi a secretária de Meio Ambiente de Rio Bonito à época, Carmen Lucia Kleinsorgen Motta, que vislumbrou uma oportunidade de desenvolver um projeto e dar à família uma chance de mudar de vida. Isso porque enquanto o marido lidava com o forno de carvão, sua esposa Elisângela Correia Moreira cuidava de sua produção caseira de mariola, banana-passa, chips, farinha, bala e bombom de banana. Carmen Motta, atualmente na pasta de Cultura e Turismo do município, conta que todos da família viviam cobertos de fuligem e, a todo o momento, corriam para o hospital, com sérios problemas renais. Na época, sua proposta foi dar apoio ao projeto de uma fábrica comunitária de derivados de banana – matéria-prima abundante na região. Em troca, todas as carvoarias, que sustentavam ceCerca de 20 famílias, deveriam ser desativadas. "A filha do casal já concluiu o curso de Administração de Empresas e pretender fazer outra especialização, na área de qualidade de produtos alimentares, para ajudar no negócio da família", comemora Carmen.
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