
14/03/2019
Em uma descoberta sem precedentes, cientistas afirmaram que a Terra foi alvo de uma enorme explosão de radiação solar que aconteceu há mais de 2 mil anos. Com evidências coletadas nas geleiras da Groenlândia, especialistas afirmam que o planeta foi inteiramente atingido por grandes níveis de partículas solares em 660 A.C, e que o fenômeno poderia ter grandes influências hoje em dia, uma vez que esse tipo de energia tem repercussão nas tecnologias contemporâneas.
De acordo com o site britânico "BBC", o fenômeno é, no mínimo, dez vezes mais intenso que qualquer outro parecido que os atuais instrumentos de medição já detectaram. Dependendo da violência de tempestades solares, essas partículas podem viajar mais intensamente em direção à Terra — no caso dessa, recentemente descoberta, em um nível sem precedentes.
As partículas encontradas na Groenlândia são conhecidas como "tempestade de prótons" e têm o poder de derrubar eletrônicos que existem hoje em dia, como satélites e serviços de comunicação. Essas mesmas partículas têm alto nível de energia e são suficientes para arruinar a saúde de astronautas, por exemplo. Da mesma forma, passageiros de aeronaves que voam em grandes altitudes, como aquelas que realizam rotas transatlânticas, também podem ser expostos à radiação.
— Há tempestades de partículas energéticas solares de alta energia e prótons solares. Estas são as partículas de alta energia atingindo diretamente a Terra e produzindo as partículas que medimos. Conectado a isso também estão as partículas de energia mais baixas que vêm geralmente dentro de 1 a 4 dias para a Terra. Essas produzem as tempestades geomagnéticas — afirmou o co-autor do estudo que resultou na descoberta, Raimund Muscheler, à BBC.
Os instrumentos de medição mais antigos desse tipo de partículas têm 60 anos, o que sugere que uma tempestades acontecidas nessa época — em 660 A.C. — podem ter um poder que não estamos acostumados atualmente. Os cientistas encontraram as evidências desse evento a partir da verificação de isótopos radiativos no gelo colhido na Groenlândia. Outros duas grandes tempestades também foram descobertas em períodos semelhantes ao da ocorrida em 660 A.C., porém com algumas características diferentes.
Ainda de acordo com a BBC, os cientistas agora estão definindo a frequência que grandes eventos do tipo podem ter, de forma a ajudar a humanidade a se preparar para outras tempestades solares no futuro.
Fonte: O Globo
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