
21/03/2019
Após registrar casos de sarampo desde 2018, o Brasil perdeu a certificação de país livre da doença, conferido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS).
O certificado havia sido obtido em 2016. Para perdê-lo, é preciso haver transmissão sustentada, ou seja, a ocorrência de um mesmo surto por mais de 12 meses.
Foi o que aconteceu no país: em fevereiro do ano passado, registrou-se um surto do vírus, vindo da Venezuela. Ao longo de 2018, segundo os dados oficiais, foram confirmados 10.326 casos — houve surtos no Amazonas e em Roraima.
Em 2019, até 19 de março, já são 48 casos no país. Um caso de sarampo endêmico ocorrido no Pará em 23 de fevereiro deste ano foi o marco que levou à perda do certificado da Opas.
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, atribuiu o problema a baixas coberturas vacinais no país. Segundo ele, após um pico em 2003, a cobertura vacinal caiu para cerca de 80% no ano passado, em média. O patamar preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95%.
Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde afirmou que prepara um pacote de ações para reverter a queda das taxas de vacinação.
“Nosso plano consiste em encaminhar medidas importantes ao Congresso Nacional, como a exigência do certificado de vacinação, não impeditiva, de ingresso na escola e no serviço militar. Reforçaremos, ainda, o monitoramento da vacinação, por meio dos programas de integração de renda e como norma para os trabalhadores de saúde”, afirmou Mandetta no comunicado.
O Ministério da Saúde também disse que prepara uma campanha publicitária para estimular a vacinação contra o sarampo no Amazonas, Roraima e Pará, os três estados que registram, desde o ano passado, transmissão ativa do vírus.
A campanha será veiculada em abril e terá como foco a vacinação de crianças de seis meses a cinco anos de idade, que são mais vulneráveis à doença e possuem baixa cobertura vacinal nos três estados.
Fonte: O Globo
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