
11/07/2019
As principais entidades de cunho científico e educativo do Brasil enviaram, nesta quarta (10), uma carta conjunta endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, na qual defendem a atuação do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), responsável, entre outras coisas, por medir o desmatamento na Amazônia.
Os dados relativos ao desmatamento vêm sendo colocados em dúvida por integrantes do governo como o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno — que afirmou que os índices de desmatamento na Amazônia são "manipulados" — e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que questionou a informação divulgada pelo Inpe de que o desmatamento na Amazônia Legal brasileira atingiu 762,3 km² em junho, um aumento de 60% em comparação com o mesmo mês no ano passado.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também minimizou o problema, afirmando que a Amazônia tem " desmatamento relativo zero ", e busca um sistema de vigilância complementar ao do Inpe, afirmando que precisa de mais agilidade e precisão nos dados.
No texto — enviado em cópia aos ministros Tereza Cristina e Ricardo Salles, além de Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) —, presidentes de sete entidades lembram que o Inpe, criado em 1961, é "o maior instituto de pesquisas do Brasil", integrado por pesquisadores "de altíssimo nível", que dispõem de "infraestrutura invejável" e reconhecimento internacional.
"O Inpe produz, desde 2010, mapas complementares aos dados do Prodes, com polígonos de desmatamento com áreas menores que 6 hectares. Adicionalmente, mantém, desde 2016, um sistema de alerta diário (Deter-B) com desmatamentos identificados acima de 1 hectare, para dar suporte a ações de fiscalização por parte dos órgãos ambientais federais e estaduais", diz o texto.
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