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Copo e sacola encontrados no intestino de tartaruga-verde mostram os riscos de poluir a água com plástico

25/07/2019

Imagens inéditas da necropsia de uma tartaruga-verde que morreu após encalhar em uma praia na costa brasileira hoje são usadas pelo biólogo Robson Guimarães dos Santos como forma de conscientizar a população sobre os riscos de jogar plástico no lugar errado. As imagens são fortes e foram feitas em 2012 como parte da pesquisa de doutorado de Santos, hoje professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
A divulgação do vídeo, que o G1 reproduz parcialmente acima, é uma das formas que ele encontrou de chamar a atenção para uma ameaça ambiental que começa com o consumo de objetos feitos de plástico. Após o descarte, o material pode seguir diversos caminhos, mas, se não recebeu o destino correto, é provável que provoque danos como a morte de um dos animais mais característicos da costa brasileira.
De acordo com o professor, uma tartaruga-verde juvenil só precisa ingerir meio grama de plástico para morrer. Elas o ingerem ao confundi-lo com alimento, e então o material obstrui o trato gastrointestinal dos animais. Isso quer dizer que a tartaruga fica impedida de comer e realizar outras funções fisiológicas, levando-a a um emagrecimento crônico e podendo prolongar o sofrimento por bastante tempo até ela morrer.
Foi o caso da tartaruga no vídeo acima. A necropsia apontou a ingestão do plástico como causa da morte. Isso é comum no Brasil. A pesquisa de doutorado do biólogo, feita na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), avaliou 255 tartarugas-verdes encontradas mortas e encalhadas ao longo da costa brasileira de 2009 a 2013, e descobriu que em média 70% delas tinham ingerido plástico. Em alguns pontos do país, esse número chega a 100%.
De acordo com especialistas, a pesca acidental — quando o pescador lança a rede e pega acidentalmente animais que não tinha intenção — ainda é a principal causa de morte de tartarugas no Brasil. Mas é a ingestão de plástico a mais difícil de combater.
"A pesca pode ser regulada de um dia para o outro, mas o plástico não. Calcula-se que atualmente há 5 trilhões de fragmentos de plástico flutuando nos oceanos em todo o mundo", diz o pesquisador.
Plástico e pesca acidental não são os únicos inimigos da vida marinha. A falta de saneamento básico, como mostram os dados levantados pelo G1 para o Desafio Natureza, volta a ser um problema demonstrado pelas tartarugas.
Não é difícil uma tartaruga marinha ingerir plástico que foi consumido no continente. Um estudo feito pela Associação de Educação Marinha, dos Estados Unidos, e publicado em 2015 na revista Science, avaliou dados de 2010 referentes a 192 países que têm alguma costa nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, além do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

Esta matéria pode ser lida no G1

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