
22/08/2019
Representantes de ONGs ligadas ao meio ambiente reagiram à declaração do presidente Jair Bolsonaro de que elas estariam ligadas ao aumento das queimadas na Amazônia em uma suposta retaliação ao corte de verbas do governo federal.
Em Salvador para participar da Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima (Climate Week), o estrategista sênior de florestas do Greenpeace, Paulo Addario, criticou o que chamou de tentativa de criminalizar as entidades.
— O Estado não tem capacidade de atuar em todos os lugares, e parte da sociedade civil assume a responsabilidade de fazer isso. Aí você criminalizar isso é um desejo deliberado de descrédito porque o presidente não acredita na organização social, ele acha que é uma coisa manipulada pela esquerda, pelos comunistas. No fundo, é criminalizar a cidadania. Só governos autoritários, que sonham com ditaduras, podem pensar em criminalizar os seus cidadãos — disse Addario, para quem as suspeitas sobre as ONGs são similares às declarações do presidente direcionadas a outros setores:
— Ele está querendo dizer que são entidades internacionais conspirando contra o desenvolvimento no Brasil, impulsionadas por alguma força estranha ou alguma potência. É uma coisa paranoica que não é nova. — concluiu.
Diretor-executivo da WWF-Brasil, Maurício Voivodic, disse que a fala de Bolsonaro "não se sustenta de maneira nenhuma".
Segundo ele, apenas 2,7% dos recursos da sociedade civil brasileira vêm de governos — o que incluiria, ainda, governos estaduais. Desse percentual, apenas 5% é destinado à Região Norte do país.
— O trabalho das ONGs na Amazônia não depende de recursos do governo. A responsabilidade do governo é cuidar do patrimônio público, das florestas, e não tentar criar uma divergência em torno das razões, dos dados, do financiamento. Isso acaba tentando confundir o debate cujo eixo central deveria ser como diminuímos o desmatamento da Amazônia —, ponderou Voivodic durante o evento realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU),
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), organização não-governamental que defende a proteção do meio ambiente e trabalha pela criação e implementação de Políticas Públicas na área ambiental, Carlos Bocuhy, a afirmação do presidente é "irresponsável e sem nenhum fundamento".
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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