
03/10/2019
Entre 30 de janeiro e 4 de fevereiro, o cenário era desolador entre as cidades de Cláudia e Sinop, a 500 km de Cuiabá, ao norte em Mato Grosso. 13 toneladas de peixes de todos os portes boiavam mortos às margens do rio Teles Pires, na área do reservatório da usina hidrelétrica Sinop.
Em questão de dias, um odor fétido se espalhou-se por 25 km ao longo do curso do rio. Cacharas, capararis, corimbatás e dezenas de outras espécies típicas da Amazônia morreram em massa enquanto o rio era tomado por espumas não naturais e restos de vegetação em decomposição avançada.
O Teles Pires, também conhecido como rio São Manuel, fica bem na divisa com o Pará e é um dos formadores do rio Tapajós, essencial à bacia hidrográfica da maior floresta tropical do planeta.
A matança de peixes neste ponto da Amazônia, segundo o Ministério Público, pode ter as digitais dos governos brasileiro e francês. Curiosamente, o desastre aconteceu meses antes das rusgas entre os presidentes Emmanuel Macron e Jair Bolsonaro, motivadas pela questão da preservação da floresta.
A Sinop Energia, responsável pela hidrelétrica, é formada por estatais do setor energético dos dois países. Tanto para o Ministério Público Estadual quanto para o Federal, o crime ambiental no Teles Pires foi causado pela usina durante o enchimento de seu reservatório.
A concessionária responsável pela hidrelétrica une as estatais Electricité de France (EDF) e Eletrobras, e detém os direitos de exploração da usina até o ano de 2043. Líder mundial no setor, a EDF é sócia majoritária no consórcio, com 51% das ações sob seu comando. Os 49% restantes estão divididos entre duas empresas controladas pela Eletrobras.
Menos de seis meses após a tragédia, a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso autorizou o funcionamento da usina, no dia 20 de agosto. A decisão fomentou críticas, pois pesquisadores defendem que o governo do Estado tem sido conivente com a concessionária, independentemente das críticas socioambientais à iniciativa.
A Secretaria rebate dizendo que todas suas decisões sobre a hidrelétrica foram baseadas em critérios técnicos.
Leia mais no G1
Jacaré de quase 2 metros é resgatado em canteiro em Niterói; vídeo
03/09/2026
Atafona: saiba como avanço do mar engoliu casas e transformou paisagem de distrito no Norte Fluminense ao longo dos anos
03/09/2026
Operação contra desmatamento ilegal embarga área equivalente a mais de 100 campos de futebol no ES
03/09/2026
Mural de Ailton Krenak leva o Rio Doce ferido ao centro de BH
03/09/2026
Serra da Chapadinha, na Bahia, vira área protegida após enfrentar pressão de mineradoras
03/09/2026
O que é um Bioma?
03/09/2026
