
30/07/2020
Os incêndios florestais sem precedentes que devastaram a Austrália no fim de 2019 e começo de 2020 mataram ou desalojaram quase 3 bilhões de animais, de acordo com um relatório preliminar divulgado nesta terça-feira (28) por universidades australianas. Ambientalistas consideram esse um dos piores desastres para a fauna na história moderna.
O estudo mostra que 143 milhões de mamíferos, 2,46 bilhões de répteis, 180 milhões de pássaros e 51 milhões de batráquios foram afetados pelos incêndios. O relatório, encomendado pelo fundo para a natureza WWF não especifica quantos animais podem ter morrido. No entanto, as perspectivas para os que escaparam das chamas "provavelmente não são grandes" devido à falta de comida, abrigo e proteção contra predadores, explicou Chris Dickman, um dos autores da pesquisa. Para tentar ajudar os que se salvaram, autoridades australianas chegaram a lançar alimentos de helicóptero para os animais.
Os resultados da pesquisa são preliminares, o relatório completo deve ser divulgado no próximo mês. Cientistas acreditam, no entanto, que a estimativa de 3 bilhões de animais afetados não deve mudar. "Os resultados provisórios são chocantes", comentou o diretor da WWF Austrália Dermot O´Gorman. "É difícil pensar em outro evento em outras partes do mundo, na memória humana, que tenha matado ou desalojado tantos animais", completou O´Gorman, destacando ser esta uma das "piores catástrofes da história moderna para a vida selvagem".
Um estudo anterior, divulgado em janeiro, estimava que cerca de 1 bilhão de animais pereceram em Victoria e Nova Gales do Sul, os estados mais atingidos pelo fogo. No entanto a pesquisa publicada nesta terça-feira é a primeira a avaliar zonas de incêndio em todo o território australiano, explicou a cientista Lily van Eeden, da Universidade de Sidney.
Os incêndios costumam acontecer na Austrália todos os anos, no fim do inverno no Hemisfério Sul. Porém os que a assolaram entre fim de 2019 e início de 2020 foram maiores, queimando 115 mil quilômetros quadrados de matas e florestas, matando 30 pessoas e destruindo milhares de casas.
Imagens de moradores percorrendo a fumaça e as chamas para tentar salvar animais como coalas e cangurus comoveram o mundo. Especialistas afirmam que secas prolongadas e mudanças climáticas provavelmente tornarão eventos como esse mais longos e « frequentes.
O fogo na Austrália também contribuiu para um dos maiores aumentos dos níveis de dióxido de carbono (CO2) registrados na atmosfera desde o início das medições, há mais de 60 anos, segundo o Departamento de Meteorologia do Reino Unido (Met Office). O governo destinou 2 bilhões de dólares australianos (cerca de 5,6 bilhões de reais) para a recuperação de áreas afetadas. Ainda assim, milhares foram às ruas no começo do ano, por sua falta de ação no combate às mudanças climáticas e a forma como geriu a crise.
Fonte: G1
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