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Alunos de escola do Rio criam escova sustentável para pets

18/08/2022

Empreendedorismo sustentável se aprende na escola, sim. Alunos do colégio Eliezer Max, em Laranjeiras, criaram uma microempresa de um produto feito de materiais reciclados para agradar cães, gatos e seus tutores. Primeiro produto da EcoPet, o ecopente é uma escova para animais de estimação feita apenas com materiais reciclados.
O primeiro passo foi identificar um problema que eles gostariam de resolver para pensar num produto para solucionar a questão, sem prejudicar o meio ambiente.
— A gente tinha que propor alguns problemas cotidianos nas nossas vidas e, depois, uma solução para ele. E um dos problemas citados foi a quantidade de pelos em casa — diz Filipe Santos Kushnir, de 14 anos, presidente da empresa e tutor de um vira-lata, que logo chegou a solução com o time. — Uma escova portátil, de fácil acesso, que consegue tirar o pelo do animal e sustentável.
A ideia inicial era fazer a escova com uma placa de plástico polipropileno, mas a cola da tampinha não colava no plástico. Foi aí que entrou a madeira de MDF como principal material da escova é a madeira de MDF, o elástico do tipo Jaraguá, que tem um tempo de vida longo, e cerdas de plástico verde, que é feito por cana. Essa parte, aliás, resultou em uma parceria de gente grande, com a Tetra Pak, que forneceu mais de três mil tampinhas para a empresa. Claro que a embalagem acompanha a premissa sustentável e é feita em algodão cru, que não passa por nenhum tipo de processo químico.
Cerca de 100 unidades, entre protótipo, perdas e peças. No total, 91 foram comercializadas. O processo é artesanal, feito à mão, um a um, na própria escola.
— A produção foi feita no espaço maker, um lugar que incentiva os alunos a encontrar solução de problema mão na massa, aprendendo a usar ferramentas, como martelo, serra e até uma cortadora a laser, onde foram feitas todas as escovas — explica Bruno Gottlieb, diretor administrativo e financeiro da escola, que também atuou como consultor da empresa. — O principal objetivo é trazer essa vivência onde eles vão ter aulas de soluções.
Até o desenho final ficar pronto, alguns protótipos foram feitos. Os primeiros, realmente, pareciam uma escova tradicional. Mas logo os designers perceberam que precisava ser algo mais anatômico para poder promover uma melhor escovação os animais.
Para divulgar o EcoPente, eles criaram um Instagram compartilhando todo o processo de criação do produto até a venda. A primeira feira aconteceu em junho, no recreio da escola. Já na semana seguinte, eles chegaram até a Junta Local, badalado evento com foco em pequenos produtores e sustentabilidade.
Ainda no quesito inovação, o colégio convidou alunos da Escola Municipal José de Alencar para participar do projeto.
— Fizemos amizade, trocamos contatos. Fui aluno dessa escola, mas sempre foram eles lá e nós cá — relembra Gottlieb. — Esse projeto foi o início de uma parceria afetiva, com eles podendo aproveitar o que fazemos aqui dentro, nós podemos receber insights de pessoas com um background completamente diferente. Isso é muito enriquecedor. Uma oportunidade de furar bolhas, derrubar muros e trabalhar em conjunto.
E para ser uma empresa a valer, não poderia faltar a área de marketing. Ela sabe bem que o que está fazendo agora pode não ter efeito imediato, mas a conta positiva virá.
— Meu trabalho foi administrar o Instagram, registrar as jornadas, pesquisar mais sobre o nosso público alvo - diz Ana Nigri, diretora de marketing da empresa. — A gente está tentando melhorar o mundo de pouquinho em pouquinho com as pequenas ações que fazemos.
Foi ela quem brifou como deveria ser a marca, que tem um gato, um cachorro e o símbolo da sustentabilidade.
— Fiz várias opções, trouxe alguns rascunhos, sempre incluindo alguma coisa de sustentabilidade. A palavra sustentabilidade perdeu o valor que tinha antes. Nosso planeta está numa situação catastrófica, sem saber se tem mais volta, e estamos contribuindo para mudar isso. — conta Maria Eduarda Mendonça, de 15 anos, aluna do nono ano da José de Alencar. — É muito importante para aprender que você pode ganhar a vida com a sua ideia. Foi muito acolhedor fazer parte desse projeto, não é todo lugar que é assim. Achei incrível.
Após o projeto bem-sucedido , alguns dos integrantes pretendem dar sequência ao negócio iniciado na cadeira, que focará mais em educação financeira no segundo semestre.
— Para continuar a gente teria que sair de miniempresa para empresa. Teria que fazer tudo com muito mais cuidados e eficiência — diz o diretor de operações, Davi Niskier. — Uma coisa era quando fazia parte de uma aula, outra é fazer paralelamente à escola e de forma profissional.

Fonte: O Globo

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