
31/01/2023
As mudanças climáticas na floresta tropical amazônica estão afetando diretamente o Tibete, a 20 mil quilômetros de distância, de acordo com um estudo científico publicado neste mês pela revista Nature Climate Change. No trabalho, pesquisadores observaram os dados de temperatura na superfície da Terra nos últimos 40 anos e encontraram evidências que conectam as alterações nos climas da América do Sul e da Ásia.
— Ficamos surpresos em ver como os [fenômenos] climáticos extremos na Amazônia estão ligados aos extremos climáticos no Tibete — disse Jurgen Kurths, coautor do estudo conduzido por cientistas de China, Europa e Israel.
Os cientistas usaram simulações computadorizadas para mapear como o aquecimento global poderia determinar correlações climáticas de longa distância até o ano 2100. A partir daí, descobriram que quando está mais quente na Amazônia, a temperatura também sobe no planalto tibetano, o mais alto do mundo.
Por outro lado, quando chove mais na Floresta Amazônica, neva menos na região do Himalaia, muitas vezes chamada de "terceiro pólo" do mundo por causa da quantidade de água doce armazenada.
Com base nos dados disponíveis sobre a queda no nível de neve na região, os autores do estudo afirmam ter observado sinais de que o Tibete tem se aproximado de um ponto de não retorno desde 2008. De acordo com outro artigo publicado na revista Nature Climate Change no ano passado, as mudanças climáticas ameaçam o volume de água armazenada no Tibete, pondo em risco o abastecimento de cerca de dois bilhões de pessoas no continente asiático.
Fonte: O Globo
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