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Se faz de morto pra viver: cientistas descobrem estratégia de lagarto ´ator´ que só existe na Mata Atlântica

14/03/2023

Pesquisadores descobriram durante um trabalho de campo em Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, que um lagarto que só existe na Mata Atlântica, apresenta uma estratégia defensiva curiosa: ele se finge de morto para escapar de predadores.
A estratégia defensiva nunca havia sido registrada para a espécie Leposoma scincoides. O pequeno réptil tem cerca de 5 centímetros e ocorre exclusivamente em áreas de floresta da Mata Atlântica, desde Teresópolis (RJ) até Salvador (BA). O bichinho tem hábitos diurnos, vive no chão das florestas, entre folhas, troncos e raízes.
Pesquisadores do Projeto Bromélias e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) estavam em trabalho de campo na cidade quando capturaram dois lagartos da espécie e observaram a estratégia defensiva e viram que o animal virava de barriga para cima para afastar possíveis predadores.
“Ao serem manuseados para avaliar suas estratégias defensivas, imediatamente viraram-se de barriga para cima, colocando-se em uma postura na qual fingiram-se de mortos, retornando à posição normal cerca de quatro minutos depois, relata Cássio Zocca, pesquisador do INMA e um dos autores do estudo.
Intrigados, os pesquisadores realizaram registros fotográficos do lagartinho. Após buscas na literatura científica, a equipe constatou que se tratava de uma nova estratégia defensiva nunca registrada para a espécie.
O estudo com a descoberta foi publicado no dia 1º de março desse ano, na revista britânica The Herpetological Bulletin.
Cássio Zocca, pesquisador do INMA e um dos autores do estudo, destacou que compreender as estratégias defensivas das espécies de lagartos é importante pois muitas ainda permanecem com seus aspectos ecológicos desconhecidos.
“Os lagartos adotam uma variedade de estratégias defensivas para evitar ataques de predadores na natureza, incluindo colorações e exibições posturais. Assim, espécies diferentes podem exibir estratégias diferentes diante do risco da predação. Há espécies que podem desferir mordidas, inflar o corpo, usar a descarga cloacal e a autotomia da cauda, que é a habilidade de liberar total ou parcialmente a cauda, como uma automutilação”, explica Zocca.
A simulação de morte é uma exibição postural frequentemente usada após contato físico com um predador.
O pesquisador destaca que o réptil tem outras estratégias para fugir dos predadores que já são conhecidas, como a camuflagem e as tentativas de fuga. Mas, quando todas essas opções falham, o lagartinho parte para a "encenação".
No estudo, os autores sugerem que essa estratégia defensiva foi desenvolvida para evitar predadores visualmente orientados, como aves que geralmente se alimentam de presas em movimento, incluindo espécies de lagartos.

Fonte: g1

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