
04/04/2023
Aeroporto de Manaus, janeiro de 2020. Já passava das 21h de uma sexta-feira quando dois americanos e um brasileiro foram abordados por agentes da PF (Polícia Federal). Com fotos dos estrangeiros em mãos, os policiais estavam interessados na mala rosa com a qual eles pretendiam embarcar para Nova York, carregada com 35 kg de ouro amazônico que hoje valem R$ 10 milhões.
A carga, que representa um terço do ouro ilegal apreendido pela PF naquele ano, estava em posse dos nova-iorquinos Frank Giannuzzi e Steven Bellino e do goiano Brubeyk Nascimento. No centro de uma disputa judicial, as barras podem ser a ponta de um esquema internacional de contrabando de ouro ilegal da Amazônia, segundo apuração conjunta da Repórter Brasil e da rede de TV americana NBC News.
Durante a abordagem, os três informaram que a carga seria de reaproveitamento de joias derretidas, mas a PF já tinha informações de inteligência sobre a possível origem irregular. "Por isso, nós os abordamos antes do embarque", explicou o perito criminal Ricardo Lívio Marques.
A primeira análise da composição do material, feita ainda no aeroporto com uma pistola de raio-X, apontou a origem ilegal, como foi depois confirmado por outras duas perícias mais precisas. A análise detectou impurezas "frequentemente encontradas em ouro de garimpo e nunca em material reciclado".
Segundo os laudos, o ouro seria da Província Aurífera do Tapajós, no Pará, onde estão três das terras indígenas mais afetadas pela mineração ilegal: Munduruku, Sawré-Muybu e Sai-Cinza, segundo o Mapbiomas.
Bellino, 65, e Giannuzzi, 43, eram amigos há mais de uma década quando foram apresentados a Nascimento em 2019 pela esposa de Giannuzzi, que é brasileira. Foi daí que surgiu a ideia de importar ouro da América do Sul para EUA e Turquia. Os estrangeiros então criaram a empresa Doromet, que promete "serviço completo" no comércio de metais preciosos e tem sede em Manhattan.
A 6.800 km dali, no centro de Anápolis (GO), o negócio de Nascimento, 36, formado em engenharia, deslanchou após o encontro. A Bamc Laboratório de Análises de Solos e Minérios Ltda, criada em 2018 como um comércio atacadista de minérios, aumentou em 65 vezes a compra anual de ouro entre 2019 e 2022, passando de 35 kg para 2.279 kg. A empresa, porém, não está autorizada a comprar ouro de garimpo no Brasil, segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração).
Em 2021, Bellino entrou com uma ação na Justiça de Nova York contra o antigo sócio e o brasileiro, alegando ter investido US$ 750 mil na Doromet, mas não ter recebido participação pelo "negócio lucrativo" que a firma havia se tornado.
Esse processo confirma que, após a apreensão em Manaus, "todas as remessas de ouro subsequentes foram recebidas do Brasil e processadas nos Estados Unidos, além de em Istambul, Turquia".
Termine de ler esta reportagem na íntegra na Folha de S. Paulo
Aranha-lobo ‘dá um passeio’ pelo Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador
13/08/2026
Fotógrafo brasileiro registra eclipse total na Espanha e flagra coroa solar e ‘anel de diamante’; veja IMAGENS
13/08/2026
Nova espécie de planta é descoberta em fotografias de observação de aves no ES
13/08/2026
Saúde das baterias impulsiona economia circular dos carros elétricos
13/08/2026
Calçada da ´Fauna´: conheça espécie de animal vermelho que ganhou pegada eternizada em Gramado
13/08/2026
Brasil perdeu 14% da cobertura de vegetação nativa em 41 anos, aponta MapBiomas
13/08/2026
