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Sem saber, você pode comer carne de raia em vez de cação

13/04/2023

A carne de cação é vendida na feira com um preço chamativo, barato e acessível. O problema por trás da barganha é a qualidade e a veracidade do produto. Ofertada como cação ou filé de viola, a carne comercializada nas feiras cariocas pode ser, na verdade, carne de raia ou tubarão de espécies ameaçadas. O consumo desses animais ameaçados de extinção, e que têm pesca proibida, pode trazer diversos riscos à saúde. A Sea Shepherd Brasil lançou em 2021 uma campanha com o tema "Cação é tubarão", para a conscientização da população:
— É preocupante, principalmente para mulheres grávidas. A carne de raia e tubarão é vendida, hoje, no mercado com nomes genéricos. Os comerciantes jogam no mercado todas as espécies desses animais ameaçados e expõem a população a um grande risco. Primeiramente, é preciso comercializar os peixes pelos nomes que têm e entender o que é proibido — pontuou Ricardo Gomes, autor do livro "Raias da Guanabara", biólogo marinho e diretor do Instituto Mar Urbano.
Segundo Gomes, a contaminação das raias e de peixes da Baía de Guanabara é um problema de saúde pública. Por circularem em águas profundas, esses peixes cartilaginosos estão mais expostos à contaminação do que outros animais. Eles são predadores de topo de cadeia e, por isso, apresentam altas taxas de metais em seu corpo, porque ingerem o acúmulo já presente no organismo de suas presas. Toda essa contaminação é passada para quem consome carnes de raias e tubarões.
Um cardume de raias foi encontrado morto em uma praia à beira da Baía de Guanabara, na Ilha do Fundão, Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira. A espécie, Rhinoptera brasiliensis, popularmente conhecida como Ticonha, está criticamente ameaçada, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O grupo, avistado na areia por pescadores da região, reunia aproximadamente 50 animais.
O motivo da morte ainda é desconhecido, mas, até o momento, a pescaria de arrasto é a causa considerada mais provável pelos pesquisadores. Apesar da ausência de marcas aparentes nos animais devido ao uso de redes de pesca, Ricardo Gomes afirma que existe grande possibilidade de que as raias, cuja captura é proibida, tenham sido pegas em uma rede de arrasto por engano. Para evitar o flagrante no desembarque, elas teriam sido descartadas no local.
— Em um primeiro momento, parecia falta de oxigenação da água ou excesso de poluição. No entanto, se fosse esse o caso, também encontraríamos outros tipos de peixes mortos. Por isso, a principal hipótese, no momento, é a pesca, mas as possibilidades anteriores ainda não foram excluídas — explicou o especialista.

Fonte: O Globo

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