
23/05/2023
Cingapura tem mostrado que é possível incluir o verde em cidades metrópole tomadas por arranha-céus e uma densidade populacional desafiadora. Em 2018, a região central do país já havia inaugurado um edifício com nada menos que 700 árvores, inspirado nos campos de arroz asiáticos. Em 2021, os ônibus do país asiático receberam tetos verdes e, no mesmo ano, um dos maiores projetos de geração de energia solar em superfície aquática foi inaugurado em Cingapura.
Em 2022, uma nova e surpreendente floresta urbana foi aberta ao público por lá. Para chegar ao oásis verde é necessário pegar um elevador: um dos edifícios mais altos da cidade tem cerca de 280 metros de altura e uma cobertura com 4,5 mil metros quadrados com árvores frutíferas e hortas que fornecem alimentos e temperos para os três restaurantes do arranha-céu.
A torre CapitaSpring impressiona pela fachada de vidro e alumínio. Mas a melhor surpresa está na vegetação que se mescla com a construção. Além da fazenda urbana da cobertura, entre os andares 17° e 20º, um caminho em espiral oferece um passeio em meio ao verde dentro de um grande edifício. As árvores crescem nos cantos da fachada do edifício com a mesma frequência que nas janelas. No total, o edifício de 51 andares abriga mais de 80 mil árvores e plantas.
A construção começou em 2018 e foi projetada pela empresa dinamarquesa Bjarke-Ingels Group em parceria com o escritório de arquitetura Carlo Ratti Associati. O projeto, segundo eles, é “como uma visão de um futuro em que a cidade e o campo, a cultura e a natureza podem coexistir”.
Bjarke Ingels explica que a inspiração para a floresta vertical veio do “caráter único do urbanismo de Cingapura – extremamente denso e verde”. Cingapura é realmente uma “cidade-jardim”. Apesar de 6 milhões de pessoas ocuparem uma menor do que Londres, o verde se faz presente e é inclusive uma exigência legal para quem quer construir. Esta determinação veio do fundador e ex-primeiro-ministro Lee Kuan Yew, na década de 60. Desde então, programas de plantio e projetos de paisagismo seguem incluindo vegetação na área urbana.
No caso da CapitaSpring, a maioria das espécies de plantas são nativas de Cingapura, o que significa que estão muito bem adaptadas ao calor e umidade comuns à região. A arquitetura biofílica, que integra natureza e design, reproduziu a disposição que as plantas teriam em uma floresta, levando em consideração as espécies que se dão melhor em locais com mais ou menos sombra ou vento, por exemplo.
Outra ideia que está presente no planejamento de Cingapura é trazer mais vida para o centro comercial, que se tornava um deserto no período noturno e finais de semana. Para isso, grandes prédios corporativos estão se tornando empreendimentos de uso misto, com unidades residenciais e atividades de lazer. Este é o caso da CapitaSpring.
Se você não tem planos e ir até Cingapura, pode fazer um tour pela floresta urbana deste impressionante edifício no vídeo do Bjarke Ingels Group no CicloVivo
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