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Autópsia de baleia encalhada na Irlanda é pausada por risco de explosão

18/07/2023

No início do dia 9 de julho, o cadáver de uma baleia apareceu na região de Baile Uí Chuill Strand, no condado irlandês de Kerry. Especialistas do Grupo de Golfinhos e Baleias (IWDG, em inglês) começaram a fazer a autópsia do animal, mas foram forçados a parar: a baleia era tão grande que corria o risco de explodir.
Com base no nível de decomposição, estima-se que o animal de 19 metros estava morto havia três semanas quando apareceu na orla da praia. Cerca de um a dois corpos de baleias aparecem na costa da Irlanda anualmente.
A baleia-comum, cujo nome científico é Balaenoptera physalus, é o segundo maior mamífero da Terra e tende a ter até 25 metros, apesar de haver casos de espécimes de mais de 27 metros. Existem mais de 100 mil animais do tipo nas águas, no entanto, a espécie ainda é considerada vulnerável à extinção, devido à mudança climática, à poluição plástica e ao aumento da pesca de krills, pequenos animais marinhos parecidos com camarões que são a principal fonte de alimentos das baleias-comuns.
"Peguei óleo de baleia, barbatanas e pele", disse Stephanie Levesque, uma das agentes do IWDG, em entrevista ao jornal Irish Examiner. "Ia tentar coletar um pouco de músculo, mas ouvi alguns barulhos e fiquei tipo: isso vai explodir na minha cara se eu for mais a fundo."
Quando uma baleia morre, seu intestino fica cheio de gás metano, o que pode inflar os cadáveres e fazer com que eles flutuem pela superfície do oceano. Às vezes, vão parar na costa, como foi o caso da baleia de Kerry.
Ao portal Live Science, Levesque explicou que, quando misturado com oxigênio e em altas concentrações, o metano pode causar a explosão das baleias, tanto espontaneamente com o aumento da pressão quanto com a abertura ou corte dos resquícios desses animais.
Em alguns casos, quando as baleias aparecem na costa, especialistas em vida selvagem detonam os cadáveres cheios de gás para impedir que eles se decomponham lentamente, liberando mau cheiro que pode afastar possíveis visitantes ao local. Foi o que aconteceu no estado de Oregon, nos Estados Unidos, em 1970: uma cachalote de 14 metros foi explodida com dinamite, obliterando seus resquícios.
Depois de um tempo, Levesque e seus colegas perceberam que a baleia não explodiria e que se decomporia naturalmente. "Havia alguns sons de efervescência, mas nada que me levou a acreditar que realmente explodiria. O abandono da necrópsia foi uma medida de precaução para garantir que a cavidade do corpo ficasse intacta", explicou ao Live Science.

Fonte: O Globo

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