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Aumento da temperatura no planeta: Pesquisadores brasileiros que estiveram no Ártico falam sobre degelo

15/08/2023

Pesquisadores que estiveram na primeira expedição brasileira oficial ao Círculo Polar Ártico foram surpreendidos pelas condições climáticas que encontraram na região: calor e degelo. A viagem foi em julho e três professores de Brasília participaram — dois deles estiveram no Polo Norte também em 2016.
"[Em 2016] estava sempre chovendo e sempre muito frio. Em 2023 estava um clima totalmente diferente. Nós tivemos dias que chegamos a usar mangas curtas. Pegamos dias com 10ºC. Foi muito quente mesmo, muito diferente do que imaginávamos e esperávamos encontrar", conta a professora Micheline Carvalho Silva, do departamento de Botânica da Universidade de Brasília (UnB).
Os cientistas estão preocupados com a possibilidade de o gelo marinho desaparecer em poucos anos, as previsões são pessimistas já para o verão de 2030. Um estudo recente na revista Nature Communications, que analisou mudanças de 1979 a 2019 na região, comparando diferentes dados de satélite e modelos climáticos, revelou que, mesmo se forem feitos cortes significativos nas emissões de gases de efeito estufa, o Ártico ainda poderia enfrentar verões sem gelo marinho até 2050.
A professora Micheline Carvalho Silva esteve no Ártico em 2016. Ela conta que, à época, "era um lugar que chovia muito e era bastante frio". Por causa do clima, usavam roupas pesadas e o topo das montanhas eram tomados por neve, mesmo não sendo época de nevasca.
Neste ano, os pesquisadores se depararam com o solo seco e nenhum dia de chuva. "Era sol todos os dias. Sim, batia um ventinho, mas não era um vento muito frio", diz a pesquisadora.
"A gente conseguiu perceber que os topos das montanhas estavam bem descongelados, e tivemos a oportunidade de visitar uma geleira. A geleira está retraindo com o derretimento. Ela ainda existe, mas é uma geleira pequena" conta Micheline.
Também do Departamento de Botânica da UnB, o professor Paulo Câmara também esteve no Ártico nos dois períodos. Ao comparar as duas idas ao Polo Norte, ele afirma que a impressão que teve é que "agora está muito mais seco".
"Agora está muito mais quente, tem muito menos água, muito menos neve, muito menos gelo. A gente talvez até tenha que retornar lá para coletar amostra de neve e gelo, que não encontramos. Não foi possível coletar", conta o professor.
Segundo Câmara, o clima no Ártico, agora, é quase um "semiárido". "O aumento da temperatura no Ártico é bem documentada já, né? Não é uma novidade, isso já é um assunto conhecido da comunidade científica, levando esse derretimento que existe lá, a abrir novas rotas comerciais. As navegações agora vão poder passar por regiões no Ártico que não podiam passar antes. O que vai encurtar a distância".
"Nosso grupo de pesquisa está interessado em entender essas mudanças porque acreditamos que processos semelhantes estão começando a acontecer também na Antártica. Isso, certamente, afeta a vida de todos aqui no Brasil, uma vez que o Brasil é o sétimo país mais próximo da Antártica", diz o professor.

Termine de ler esta reportagem clicando no g1

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