
25/01/2024
A seca histórica que assolou a região da Amazônia em 2023 teve sua principal origem na mudança climática causada pela atividade humana. Isso é o que aponta um novo estudo, divulgado nesta quarta-feira (24), realizado pelo World Weather Attribution (WWA), um grupo internacional de cientistas especializados em assuntos climáticos.
Segundo a pesquisa, o fenômeno natural El Niño, conhecido por trazer condições secas à região, teve uma influência consideravelmente menor no episódio.
📝 Contexto:
* Desde meados de 2023, a Bacia Amazônica enfrenta uma prolongada estiagem, impulsionada pela escassa precipitação (como chuva ou orvalho) e pelas elevadas temperaturas constantes na região. Em alguns lugares, os rios atingiram seus níveis mais baixos em mais de um século, causando impactos severos em comunidades ribeirinhas.
* A seca também desencadeou o aumento de incêndios florestais e contribuiu para a poluição do ar devido à disseminação de fumaça. As temperaturas elevadas da água foram associadas à morte significativa de vida aquática, incluindo mais de 150 golfinhos cor-de-rosa, uma espécie ameaçada de extinção.
Ainda de acordo com a investigação da WWA, que teve a participação de universidades e agências meteorológicas no Brasil, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos, a mudança climática está provocando uma diminuição na precipitação e um aumento nas temperaturas na Amazônia.
Com isso, esses fatores tornaram a seca sem precedentes de 2023 aproximadamente 30 vezes mais provável do que se apenas o El Niño estivesse atuando.
"Com cada fração de grau de aquecimento causado pela queima de combustíveis fósseis, o risco de seca na Amazônia continuará a aumentar, independentemente do El Niño", alerta ele.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas examinaram o impacto das mudanças climáticas na seca, usando dados meteorológicos e simulações de modelos. Eles compararam o clima atual, com cerca de 1,2°C de aquecimento global, com o clima mais frio pré-industrial, sem os impactos do ser humano, usando métodos revisados por especialistas.
O foco do estudo foi na Bacia Amazônica, analisando a seca de junho a novembro de 2023. Os pesquisadores usaram dois índices para avaliar a gravidade da seca:
1. O primeiro é o Índice Padronizado de Precipitação (SPI), que considera a baixa precipitação e mede a seca meteorológica.
2. O segundo é o Índice Padronizado de Precipitação Evapotranspiração (SPEI), que considera baixa precipitação e evapotranspiração, medindo a seca agrícola. Estudar ambos os índices ajuda a entender os fatores climáticos por trás do evento.
Usando modelagem estatística, os pesquisadores separaram as influências do El Niño e das mudanças climáticas na seca. Foi aí, então, que descobriram que tanto o El Niño quanto as mudanças climáticas reduziram a chuva em proporções semelhantes.
No entanto, eles constataram que o aumento nas temperaturas foi principalmente causado pelas mudanças climáticas ao analisar dados meteorológicos históricos. Assim, embora o El Niño tenha contribuído para agravar a seca, as mudanças climáticas foram o principal impulsionador.
Leia a matéria completa no g1
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