UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Exposição a calor extremo de menores de 1 ano aumentou 250% no Brasil de 2014 a 2023

31/10/2024

Crianças de até um ano no Brasil enfrentaram até 250% mais ondas de calor de 2014 a 2023 comparadas aos bebês de mesma idade no período de 1986 a 2005.
Similarmente, idosos com mais de 65 anos também vivenciaram 234% mais calor extremo no mesmo período, comparado ao intervalo de tempo anterior.
Na população economicamente ativa brasileira, a maior exposição a dias de calor representou, também no período de 2014 a 2023, uma perda de 6,2 bilhões de horas de trabalho devido às temperaturas elevadas, gerando uma perda potencial anual de US$ 19,6 milhões (cerca de R$ 152,2 mi corrigidos pela inflação).
Além disso, o aumento das temperaturas médias anuais no país associado às mudanças climáticas elevaram as precipitações, provocando um crescimento de doenças infecciosas transmitidas por mosquitos, como dengue, de 29% no período. Outras doenças, como as provocadas por inundações e contaminações da água, também cresceram.
Em contrapartida, nenhuma das dez cidades analisadas desde 2015 melhorou a sua cobertura vegetal ou apresentou estratégias para mitigação dos efeitos do aquecimento global às suas populações.
As conclusões são do relatório mais recente de saúde e mudança climática Lancet Countdown, produzido pela mais prestigiada revista médica do mundo, que contou com a colaboração de 122 cientistas líderes de agências da ONU (Organização das Nações Unidas) e instituições acadêmicas de todo o mundo.
A publicação, divulgada nesta terça-feira (29), é o nono relatório produzido pelo grupo desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, e revela as descobertas mais preocupantes até agora nos oito anos de monitoramento da comissão.
No âmbito global, o estudo aponta que 10 dos 15 indicadores de saúde e mudanças climáticas analisados atingiram níveis recordes no último ano, tais como mortalidade relacionada ao calor, aumento da população exposta à secas severas e aumento à exposição a dengue, malária e outras arboviroses devido à intensificação das chuvas.
No caso da mortalidade associada ao calor, o relatório diz que esse número aumentou 167% no último ano em comparação com os anos 1990, o que equivale a 102 pontos percentuais acima do que havia sido estimado no final do século passado —o que indica, também, uma falha das tentativas de limitar o aquecimento global em 1,5°C, meta preferencial do Acordo de Paris.
Os autores chamam a atenção também para o fato de, em 2023, o número de dias extras de temperaturas que ameaçam a saúde além do esperado chegou a inéditos 50 dias, quantidade que não seria atingida se não houvesse uma aceleração das mudanças climáticas.
No mesmo ano, 48% da área terrestre global foi atingida por seca extrema, o segundo nível mais alto registrado, além de um recorde de emissão de gases de efeito estufa 1,3% maior em relação a 2022, de acordo com a OMM (Organização Meteorológica Mundial), ligada à ONU.
Para Marina Romanello, diretora executiva da Lancet Countdown, uma das principais descobertas do estudo é o nível recorde de ameaças à saúde das mudanças climáticas.
"Mais uma vez, o ano passado quebrou recordes de mudanças climáticas, com ondas de calor extremas, eventos climáticos mortais e incêndios devastadores afetando pessoas ao redor do mundo. Nenhum indivíduo ou economia no planeta está imune às ameaças à saúde provenientes das mudanças climáticas", disse ela, em comunicado.
Mesmo com todos esses impactos, as ações dos países para reduzir os efeitos das mudanças climáticas foram muito aquém do esperado, afirma. "Apesar do conhecimento dessas ameaças recordes à saúde, governos e empresas continuam alimentando e oferecendo subsídios para a indústria de combustíveis fósseis."
Segundo o relatório, os riscos à saúde global foram exacerbados por anos de atraso na adaptação, deixando milhões de pessoas em todo o mundo vulneráveis às ameaças das mudanças climáticas –cerca de 7 em cada 10 países no mundo disseram ter implementado ações de emergência de saúde obrigatórias por lei em 2023, dos quais 11% eram países de baixa renda.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

Novidades

Vendaval turbinado que atingiu o Rio e São Paulo é a ´ponta do dedo do longo braço´ do El Niño; entenda

30/07/2026

Os fortes ventos que atingiram os estados de São Paulo e Rio de Janeiro eram a vanguarda de um siste...

VÍDEO: maior espécie de raia do mundo é registrada durante pesquisa com baleias no ES

30/07/2026

A maior espécie de raia do mundo foi registrada durante uma expedição científica realizada em alto-m...

Sucuri-amarela infestada de carrapatos impressiona no Pantanal; biólogo explica

30/07/2026

Uma sucuri-amarela, cobra símbolo do Pantanal de Mato Grosso do Sul, chamou a atenção de internautas...

Presença de golfinhos em Fernando de Noronha cai quase pela metade em dez anos

30/07/2026

Um dos símbolos de Fernando de Noronha, o golfinho-rotador frequentou bem menos o arquipélago no ano...

El Niño: governo prevê gastar até R$ 1,3 bilhão para enfrentar secas, chuvas intensas e incêndios

30/07/2026

O governo informou nesta quarta-feira (29) que prevê investir até R$ 1,3 bilhão em ações para enfren...

Mercúrio se acumula duas vezes mais rápido na Península Antártica, aponta estudo

30/07/2026

Mesmo distante dos grandes centros urbanos e industriais, a Península Antártica está acumulando merc...