
23/01/2025
A re.green, empresa que vende créditos de carbono de alta qualidade, anunciou nesta quarta-feira (22) em Davos uma extensão do acordo firmado em maio com a Microsoft para restaurar, ao longo de 15 anos, cerca de 15 mil hectares de floresta na amazônia e na mata atlântica. Com o novo acordo, a área chegará a 33 mil hectares em 25 anos. O valor do negócio não foi revelado.
"A gente vai expandir a presença nas áreas onde já estamos e a gente inseriu uma área nova, que é o Vale do Paraíba, na área emblemática que produziu alguns dos primeiros milionários do Brasil, nos anos 1800, e que hoje é uma área extremamente degradada", disse à Folha Thiago Picolo, CEO da re.green. A empresa, fundada há três anos, tem entre seus investidores o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e o cineasta João Moreira Salles.
Segundo Picolo, que participa do Fórum Econômico Mundial, o primeiro acordo com a Microsoft elevou a reputação da empresa e ajudou a atrair mais clientes —no caso, multinacionais de grande porte, que compram créditos no Brasil de forma voluntária, já que sem um mercado internacional regulamentado as transações internacionais raramente podem ser usadas como compensação legal de emissões de carbono.
O painel da empresa na Brazil House, instalada em Davos durante o evento para promover investimentos no Brasil, estava lotado e atraiu a atenção de muitos estrangeiros.
As áreas reflorestadas pela re.green sob o acordo estão na Bahia (Mata Atlântica), no oeste do Maranhão e no leste do Pará (ambas regiões amazônicas). A empresa também atua no norte de Mato Grosso, perto do Xingu. Todos os clientes são empresas estrangeiras.
A re.green tem, porém, parceiros nacionais e prevê que o projeto impulsione o desenvolvimento sustentável nas regiões onde é implementado. Mas os estrangeiros, aponta Picolo, têm maior capacidade financeira para ações desse porte e também mais experiência no mercado de crédito de carbono.
Ele também enxerga em países europeus e em partes dos Estados Unidos uma cultura mais sedimentada de ações ambientais de mitigação, o que não deve mudar mesmo sob a gestão de Donald Trump, voltada para combustíveis fósseis, por já estar arraigado entre consumidores, clientes e financiadores. O mercado, no entanto, ainda é pequeno e pode se expandir —a empresa diz haver cerca de 5.000 clientes potenciais de grande porte.
"O mercado de carbono voluntário, que é onde a gente atua, ressurgiu durante a época do [primeiro mandato de] Trump [de 2017 a 2021]. Se o governo não está se estruturando, as empresas começaram a tomar um protagonismo. Então ele subiu como um foguete durante a época do Trump. Não sei o que vai acontecer agora, sinceramente. Eu sei que a realidade não muda, né?"
A meta de Picolo, se houver maior integração entre os mercados de carbono, com jurisdições que se contatam, o Brasil possa se tornar um exportador de ativos ambientais. O avanço, contudo, tem sido lento, ainda que contínuo. A empresa ainda precisa fechar um ciclo completo para avaliar a rota. A primeira emissão de crédito será feita no ano que vem.
"As coisas vão sendo construídas, é uma questão de longo prazo", afirma. É preciso, diz ele, ver se esse ritmo de construção é adequado.
Fonte: Folha de S. Paulo
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