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Brasileira é a primeira mulher a dirigir um dos jardins botânicos mais importantes do mundo

30/01/2025

A botânica Lúcia Lohmann, professora da USP (Universidade de São Paulo), assumiu em 6 de janeiro o cargo de presidente do Jardim Botânico do Missouri, nos Estados Unidos. A instituição, fundada em 1859, é considerada um dos três principais jardins do mundo, junto com o Kew Gardens, de Londres, e o Jardim Botânico de Nova York.
Para além de uma realização pessoal, Lohmann será a primeira mulher e primeira pessoa com origem na América Latina a assumir a direção do instituto, que fica na cidade de Saint Louis.
"É um desafio grande porque estamos em um mundo em constante mudança e precisamos, mais do que nunca, encontrar soluções para problemas que nem sabemos ainda que estão por vir", diz ela, em entrevista por vídeo à Folha de sua casa no Missouri, onde ficou isolada nos dois primeiros dias de trabalho, devido ao acúmulo de neve causado por uma onda de frio na costa leste dos EUA.
A botânica, que é uma das maiores especialistas do mundo em plantas da família Bignoniaceae (que incluem os famosos ipês), já havia se mudado para os Estados Unidos há menos de dois anos, quando foi convidada para ser curadora do herbário da Universidade da Califórnia em Berkeley. Para tal, ela se licenciou do cargo de professora da universidade paulista –fato que agora se repete, com um novo pedido de licença por mais dois anos.
"Não tive como recusar, porque o jardim [do Missouri] tem um histórico de 165 anos, trabalhando em quase cem países, além de todos os programas de pesquisa e educação local", afirma.
Apaixonada pela natureza desde criança, gosto que cultivou no sítio do avô em São Roque (SP), ela conta que decidiu a profissão aos 16 anos, quando fez uma viagem com uma ONG para a amazônia e se encantou pela profissão.
"Eu sempre gostei de planta, mas não imaginava que poderia ter uma carreira como botânica. Até que eu fiz uma viagem e descobri a taxonomia [ciência que descreve novas espécies] e decidi o que queria fazer", diz.
Na graduação de ciências biológicas na USP, realizou diversos estágios onde já se envolvia com a pesquisa e coleta de plantas, seguido por um período de oito anos cursando mestrado, doutorado e pós-doutorado justamente no Jardim Botânico do Missouri, até passar em um concurso para ser professora do departamento de botânica do Instituto de Biociências da USP.
De lá para cá, expandiu a coleção de exemplares no herbário da instituição e descreveu dezenas de novas espécies, muitas vezes após passar longos períodos de expedição científica, em um barco, apenas com um mateiro (profissional que é guia na floresta). Em uma dessas expedições, chegou a quebrar seis costelas, mas isso não a desanimou.
"Naquela época, não tínhamos muitos exemplares nas coleções nacionais. Produzimos o primeiro guia de plantas da amazônia, da Reserva Duke [no Amazonas], com diversas espécies ainda inéditas, e aí eu vim para o Missouri para fazer esse trabalho de identificação, que era uma coleção de referência", diz.
O herbário do Instituto de Biociências da USP tem hoje em torno de 300 mil exsicatas, nome dado aos exemplares preservados nas coleções científicas, contra 8 milhões no jardim americano.
"Por isso, para mim manter esse vínculo com a universidade é crítico, para que a gente possa criar realmente uma visão coletiva e trabalhar com conservação em todas as instituições parceiras", ressalta.
No início da graduação, diz, as pessoas a chamavam de louca por falar em preservação do meio ambiente e mudança climática, visão que mudou recentemente, quando mais segmentos da sociedade, incluindo o setor privado, passaram a enxergar a importância do equilíbrio ecológico e da sustentabilidade.

Saiba mais na Folha de S. Paulo

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