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Rio que divide Santos e São Vicente é o 2º mais contaminado por microplásticos do mundo, diz estudo

18/02/2025

O rio dos Bugres, que fica entre as cidades de Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo, foi classificado como o segundo mais contaminado por microplásticos no planeta.
A conclusão está em um estudo publicado recentemente na revista científica Marine Pollution Bulletin por pesquisadores do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e do Instituto Ecofaxina, ONG que realiza atividades de limpeza e educação ambiental na região.
Um dos pontos do rio apresentou uma concentração de mais de 93 mil partículas de microplástico por quilograma de sedimento coletado (areia ou lama do fundo da água).
Outros dois pontos do mesmo rio tiveram concentrações de mais de 62 mil e 43 mil partículas por quilo de amostra.
Em uma comparação com outros cem corpos d’água que têm dados de microplásticos disponíveis em pesquisas, o rio dos Bugres perde apenas para o rio Pasur, em Bangladesh (157 mil partículas por quilograma de sedimento).
No entanto, o artigo que divulgou os dados do rio Pasur, publicado em 2023 na revista Science of The Total Environment, foi removido pela editora científica Elsevier na última quinta-feira (13) após uma investigação constatar que um dos autores, o pesquisador brasileiro Guilherme Malafaia, enviou uma revisão falsa do trabalho. A Elsevier diz que não há mais confiança na integridade da pesquisa. Malafaia já teve mais de 30 artigos retratados (ou seja, "despublicados") pela editora.
Os pesquisadores do estudo feito na Baixada Santista, porém, consideram que o dado pode ser válido até o momento por não haver acusação de manipulação dos resultados apresentados e pelo artigo ter sido revisado por outros cientistas.
O rio dos Bugres faz parte do sistema estuarino de Santos e São Vicente, área de transição entre a água doce do continente e a salgada do mar.
A margem santista é ocupada pelo Dique da Vila Gilda, considerada a maior favela de palafitas do país. As moradias são irregulares, construídas sobre o mangue. Estimativas apontam que cerca de 20 mil pessoas vivem na área. Do lado de São Vicente, a margem também é ocupada irregularmente.
"O rio tem ocupações irregulares por toda a sua margem, desde o início até a desembocadura no largo da Pompeba. Nas duas margens, esgoto e resíduos são descartados no rio", diz William Rodriguez Schepis, diretor-presidente do Instituto EcoFaxina e um dos pesquisadores do estudo.
Schepis explica que o plástico se acumula na área devido à baixa circulação de água característica do rio. "O plástico está presente o tempo todo, preso, principalmente sob as palafitas e nas raízes de mangue. O sedimento já está muito contaminado por anos de descarte irregular", diz.
A Folha percorreu o rio de barco em 7 de fevereiro. O mau cheiro causa o maior impacto sensorial no início, mas os outros problemas logo ficam visíveis. Há uma grande quantidade de lixo flutuando próximo das palafitas, como embalagens plásticas e roupas. Um rato morto boiava perto de onde crianças nadavam sob um calor de mais de 30°C.

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