
06/05/2025
Pesquisadores descobriram que a fêmea de um leão-marinho da Califórnia, o único mamífero não humano a demonstrar precisão de ritmo, tem uma precisão rítmica igual ou até superior à de humanos.
O resultado foi apresentado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz (UCSC), nos Estados Unidos, em um estudo publicado nesta quinta-feira (1º) na revista Scientific Reports.
Ronan, como é chamada, já era conhecida por sua habilidade incomum: em um estudo anterior, ela se mostrou o primeiro mamífero não humano capaz de manter sincronia com a música. Na nova pesquisa, ela não só manteve a capacidade de seguir o ritmo — como superou a performance de 10 voluntários humanos.
De acordo com os autores, o leão-marinho acertou o tempo de uma batida de metrônomo com uma precisão média de 15 milissegundos. Para se ter uma ideia, um piscar de olhos humano dura cerca de 150 milissegundos.
“Ela é incrivelmente precisa, com uma variação de apenas um décimo de um piscar de olhos entre cada ciclo”, explicou Peter Cook, autor principal do estudo e pesquisador do Instituto de Ciências Marinhas da UCSC.
🔎 No experimento, Ronan moveu a cabeça no ritmo de um metrônomo em três velocidades diferentes: 112, 120 e 128 batidas por minuto. Dois desses ritmos eram inéditos para ela. O desempenho de Ronan foi comparado ao de 10 estudantes da universidade, que fizeram movimentos com o braço no mesmo ritmo.
🔎 Depois disso, os cientistas usaram os dados dos voluntários para criar uma simulação estatística de como seria o desempenho de 10 mil pessoas realizando a mesma tarefa. Essa modelagem permitiu estimar que o desempenho do leão-marinho o colocaria entre os 1% com melhor resultado.
Ronan nasceu na natureza em 2008, mas encalhou várias vezes devido à desnutrição. Depois de três desses encalhes e de ter sido vista caminhando por uma rodovia, as agências reguladoras determinaram que ela não poderia mais ser devolvida ao mar. A UC Santa Cruz, que conduziu o estudo, a adotou em 2010.
➡️ A pesquisa questiona teorias anteriores que ligavam a capacidade de seguir ritmos à habilidade de vocalização — algo que papagaios e humanos compartilham. Isso porque Ronan, por outro lado, não é capaz de aprender sons novos como essas espécies.
Essa diferença fez com que, quando o primeiro estudo com o leão-marinho foi divulgado em 2013, parte da comunidade científica questionasse a precisão dos resultados. Por isso, os pesquisadores decidiram repetir o experimento, agora com novos parâmetros de comparação.
“A Ronan não só manteve a habilidade, como melhorou com o tempo”, afirma Cook. “Ela acerta o alvo rítmico repetidamente.”
Fonte: g1
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