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Área queimada no Brasil cai 58% em 2025

23/07/2026

O fogo queimou 12,7 milhões de hectares no Brasil em 2025, um número impressionante, mas que é 58% menor do que a área queimada em 2024, ano marcado pelos efeitos do El Niño e por secas severas na Amazônia. O resultado também ficou 31% abaixo da média histórica anual de área queimada no país, de 18,4 milhões de hectares, e representa o menor registro desde 2018, segundo estudo coordenado por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) para a 5ª Coleção do MapBiomas Fogo.
Com os dados de 2025, a área queimada acumulada nos últimos 41 anos ultrapassa 208 milhões de hectares, uma extensão maior que a área do México, o 13º maior país do mundo. Nesse período, 24% do território brasileiro queimou pelo menos uma vez. Além disso, 86% de toda a área atingida pelo fogo nas últimas quatro décadas concentra-se no Cerrado e na Amazônia, somando 179 milhões de hectares queimados nos dois biomas.
Desde 1985, a média de hectares queimados anualmente foi de 18 milhões de hectares, com destaque para os anos de 2007 e 2024, marcados pelos efeitos do El Niño, que registraram as maiores áreas queimadas no período, com 31 milhões e 30 milhões de hectares queimados, respectivamente.
“Após a seca extrema causada pelo El Niño em 2023 e 2024, a área queimada diminuiu em 2025 devido ao retorno das chuvas regulares, que aumentaram a umidade da vegetação. No entanto, essa trégua climática também pode ter estimulado o crescimento da vegetação com acúmulo de biomassa. Esse cenário serve de alerta para 2026, pois caso ocorram novos períodos de estiagem combinados com o uso indiscriminado do fogo, essa vegetação acumulada poderá funcionar como combustível altamente inflamável, elevando o risco de grandes incêndios”, alerta Vera Arruda, pesquisadora do IPAM.
Embora ocupe cerca de 25% do território nacional, o Cerrado concentra a maior parte da área queimada no Brasil, especialmente em sua porção norte. Em 2025, o bioma foi novamente o mais afetado pelo fogo, com 8,7 milhões de hectares queimados, uma redução de aproximadamente 20% em relação a 2024, quando o fogo atingiu 10,8 milhões de hectares. Do total queimado no Cerrado, 87% correspondeu a áreas de vegetação nativa, com destaque para as formações savânicas, que responderam por 58% de toda a área queimada no bioma.
Na Amazônia, o fogo atingiu 3,1 milhões de hectares em 2025, a menor área queimada registrada na série histórica de 41 anos. O resultado representa uma queda de 80% em relação a 2024, mas ainda mantém o bioma como o segundo mais afetado pelo fogo no país. Diferentemente do observado no Cerrado, 52% da área queimada na Amazônia correspondeu a áreas de uso antrópico, como pastagens e áreas de cultivo agrícolas. As pastagens, isoladamente, representaram 35% de tudo o que queimou no bioma.
“Não existe uma única solução para o fogo no Brasil porque o que funciona no Cerrado não necessariamente funciona na Amazônia. A série histórica do MapBiomas Fogo permite entender como o regime de fogo está mudando em cada bioma e identificar onde a prevenção deve ser priorizada e quais técnicas devem ser utilizadas. Esse conhecimento é essencial para controlar o uso do fogo na paisagem, reduzir o risco de grandes incêndios e implementar a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo com base em evidências”, detalha Ane Alencar, diretora da Ciência do IPAM.
Nos demais biomas, a Mata Atlântica registrou 216 mil hectares queimados em 2025, 77% a menos do que no ano anterior, enquanto o Pampa teve 10 mil hectares afetados, um aumento de 115%, mas ainda abaixo da média de 16 mil hectares anuais. A Caatinga, por outro lado, foi o único bioma brasileiro que registrou uma área queimada acima da média, com 504 mil hectares afetados, superando em 5% a tendência histórica da região. O Pantanal por sua vez, um dos mais afetados pelos incêndios de 2024, quando cerca de 2 milhões de hectares foram queimados, registrou em 2025 a menor área queimada na série histórica: 121 mil hectares.
No geral, 72% da ocorrência de fogo no período se concentrou entre agosto e outubro, conhecidos como temporada do fogo, sendo setembro o mês com a maior média de área queimada: 6 milhões de hectares queimados por ano.
Além do recorte temporal, o novo levantamento conclui que 64% da área afetada pelo fogo queimou mais de uma vez. Ainda, áreas com recorrência de fogo tendem a ser atingidas pelo fogo novamente cerca de quatro anos depois, com destaque para a Amazônia, que no período teve 31% da área queimada afetada novamente dois anos depois dos primeiros registros de fogo, indicando uma alta reincidência nas áreas queimadas.
“Para uma floresta cujo intervalo natural entre eventos de fogo é de séculos, incêndios recorrentes desencadeiam um processo cumulativo de degradação. A mortalidade das árvores e a abertura do dossel ressecam o sub-bosque, tornando a floresta ainda mais inflamável. Sem tempo suficiente para se recuperar, a vegetação acumula mortalidade, perde grandes árvores e diversidade e passa a ser dominada por espécies pioneiras e gramíneas inflamáveis, que reduzem ainda mais o intervalo entre os incêndios. Esse ciclo transforma áreas anteriormente densas em vegetação aberta e degradada, além de converter um sumidouro de carbono em fonte de emissões”, explica Felipe Martenexen, analista de pesquisa do IPAM.

A matéria na íntegra pode ser lida no CicloVivo

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