
13/05/2025
Dezenove bairros do Rio ganharam sensores para medição da qualidade do ar. Ao todo, são 21 novos equipamentos, sendo dez na Zona Oeste — Jacarepaguá e Santa Cruz têm dois cada —, nove na Zona Norte, incluindo Tijuca, Pavuna e Portuguesa, na Ilha do Governador; e dois na Zona Sul, na Lagoa e na Rocinha. Irajá e Pedra de Guaratiba (respectivamente nas zonas Norte e Oeste) também receberam novos aparelhos. Os dois bairros têm registrado temperaturas elevadas no verão, com direito a recordes de calor.
Fruto de uma parceria entre a prefeitura e a Google, a iniciativa tem o objetivo de ampliar e oferecer maior precisão nos dados sobre poluição atmosférica. O sistema poderá auxiliar no mapeamento de áreas críticas e no rastreamento de poluentes. Além disso, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), que também integra a parceria, passará essas informações para a população em tempo real.
Segundo Tainá de Paula, secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, a escolha desses bairros para a instalação dos sensores levou em conta a importância de ter um panorama de mais áreas da cidade.
— Foram múltiplos fatores (para a escolha dos locais), sendo o principal a necessidade de ampliar a cobertura das zonas cinza, que são áreas onde não tínhamos dados — explica Tainá de Paula. — O acompanhamento da qualidade do ar é uma tendência mundial. Há impacto na vida das pessoas, como as doenças cardiorrespiratórias. Dados climáticos e da qualidade do ar estão ligados à qualidade de vida. É muito importante entender como vai a nossa atmosfera, quais são os gases poluentes e como investir em reflorestamento, além de ações em bairros específicos.
Até então, a cidade contava com apenas oito equipamentos para esse monitoramento. A chegada dos novos foi possível a partir da carta de intenções da Google assinada durante o Urban 20 — evento realizado em novembro do ano passado paralelamente ao G-20 —, em que a empresa se comprometeu a patrocinar as instalações e as estruturas, sem gastos para a prefeitura. Além destas aquisições, outros dez equipamentos devem ser implantados em junho ou julho, numa parceria entre a prefeitura, a Clean Air Fund (iniciativa filantrópica que combate a poluição atmosférica global) e o C40 Cities (grupo de grandes cidades mundiais para a liderança climática).
O município também aderiu à iniciativa Breathe Cities, com a Clean Air Fund e a C40 Cities entre os parceiros, cujo objetivo é ajudar cidades ao redor do mundo a reduzir a poluição do ar e as emissões.
O reforço na rede de monitoramento é uma das respostas da prefeitura ao impacto da qualidade do ar na saúde pública e na rotina da cidade. De acordo com Tainá de Paula, os dados coletados auxiliarão na tomada de decisões futuras, como a busca de alternativas de melhoria dos índices e a criação de um protocolo, aos moldes do já implementado quanto ao calor e à chuva.
— Assim como a cidade tem acesso rápido ao protocolo de calor e ao de eventos extremos, como o alerta da Defesa Civil, queremos uma nova camada, agora com acesso à qualidade do ar — diz a secretária.
E, assim como os dados relacionados à temperatura e aos índices de chuva são disponibilizados em diferentes plataformas, como o COR-Rio e o Alerta Rio, a prefeitura pretende tornar as informações sobre a qualidade do ar acessíveis à população.
— No COR, trabalhamos com o conceito de comunicação resiliente, que é aquela capaz de antecipar cenários de risco, orientar a população e construir mudanças de comportamento. Quando o cidadão sabe que a qualidade do ar em sua região está ruim, ele pode se proteger: evitar atividades ao ar livre e cuidar de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias — afirma o chefe-executivo do COR, Marcus Belchior.
Fonte: O Globo
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