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Queda de blocos de gelo em Perito Moreno, na Argentina, desperta admiração e preocupação

20/05/2025

O som profundo de rachaduras vindo de dentro do gelo anuncia a queda dramática prestes a acontecer. Segundos depois, um bloco de gelo de cerca de 70 metros de altura –equivalente a um prédio de 20 andares– despenca da face da geleira Perito Moreno para as águas azul-turquesa abaixo.
A cena tem atraído visitantes à geleira mais famosa da Argentina há anos. Em plataformas de observação voltadas para o gelo, os turistas aguardam o próximo estrondo que cortará o ar frio da Patagônia.
Mas, recentemente, o tamanho dos blocos de gelo que se desprendem tem começado a preocupar guias locais e glaciologistas. Eles já estavam atentos ao recuo prolongado da Perito Moreno, que nas últimas décadas havia resistido à tendência global de derretimento acelerado das geleiras causado pelo aquecimento do clima.
"Eventos de desprendimento de gelo desse tamanho não têm sido muito comuns na geleira Perito Moreno nos últimos 20 anos," disse Pablo Quinteros, guia turístico oficial no Parque Nacional Los Glaciares, na província de Santa Cruz, sul da Argentina.
"Foi só nos últimos quatro a seis anos que começamos a ver icebergs tão grandes," ele contou à Reuters durante uma visita em abril.
A frente da geleira, que desce dos picos andinos até o Lago Argentino, manteve-se mais ou menos estável por décadas –alguns anos avançando, outros recuando. Mas nos últimos cinco anos, o recuo tem sido mais evidente.
"Ela esteve mais ou menos na mesma posição por cerca de 80 anos. E isso é incomum," disse o glaciologista argentino Lucas Ruiz, do órgão científico estatal Conicet, que pesquisa o futuro das geleiras da Patagônia diante das mudanças climáticas.
"No entanto, desde 2020, sinais de recuo começaram a ser observados em algumas partes da frente da geleira Perito Moreno."
Ele afirmou que a geleira pode se recuperar, como já fez antes, mas que, por ora, está perdendo entre um e dois metros de equivalente em água por ano, o que, se não for revertido, pode levar a um cenário de perda acelerada.
Um relatório estatal de 2024, coescrito por Ruiz e apresentado ao Congresso argentino, mostrou que, embora a massa da Perito Moreno tenha se mantido estável por meio século, desde 2015 vem ocorrendo a perda mais rápida e prolongada dos últimos 47 anos –em média, 0,85 metro por ano.
As geleiras ao redor do mundo estão desaparecendo mais rápido do que nunca, e os últimos três anos marcaram o maior registro de perda de massa glacial da história, segundo um relatório da Unesco de março.
Ruiz disse que os instrumentos usados por sua equipe para monitorar a geleira mostraram um aumento da temperatura do ar na região de cerca de 0,06°C por década e uma redução nas precipitações, o que significa menos acúmulo de neve e gelo.
"A questão com a Perito Moreno é que ela demorou, por assim dizer, para sentir os efeitos das mudanças climáticas," disse Ruiz. Agora, no entanto, o acúmulo de gelo no topo da geleira está sendo superado pelo derretimento e desprendimento na base.
"As mudanças que estamos vendo hoje mostram claramente que esse equilíbrio de forças... foi rompido, e hoje a geleira está perdendo tanto em espessura quanto em área."
Por enquanto, a geleira continua sendo uma atração impressionante para os viajantes, que embarcam em barcos para ver de perto os desprendimentos e os enormes icebergs flutuando pelo lago.
"É insano. A coisa mais incrível que já vi," disse a turista brasileira Giovanna Machado no convés de um dos barcos, que precisa manter distância das quedas repentinas de gelo.
"Mesmo em fotos, você não consegue compreender a imensidão disso, e é perfeito. É maravilhoso. Acho que todo mundo deveria vir aqui pelo menos uma vez na vida."

Fonte: Folha de S. Paulo

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