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Castanha de baru impulsiona renda e preservação do Cerrado

29/05/2025

A pesquisa científica no Brasil enfrenta desafios históricos, ainda mais quando se trata de espécies nativas pouco conhecidas, como o baruzeiro (Dipteryx alata Vogel). Nativo do Cerrado e estudado há mais de duas décadas, o baru sustenta inúmeras famílias agroextrativistas e possui potencial ainda subexplorado. Da amêndoa nutritiva à madeira, quase toda a planta é aproveitável.
Apesar de sua importância, o baruzeiro, da família das leguminosas, ainda é pouco reconhecido, sendo muitas vezes confundido com uma palmeira. Sua popularização é urgente, não apenas pelos usos alimentares, medicinais e ecológicos, mas também por sua contribuição à segurança alimentar e à preservação do Cerrado, bioma altamente ameaçado.
Menos conhecida que o pequi ou o açaí, a castanha de baru possui alto valor nutricional: rica em proteínas, fibras, antioxidantes e gorduras saudáveis. Já integra a alimentação escolar em municípios como Alto Paraíso (GO), Montes Claros (MG) e Palmas (TO), junto a outros produtos regionais, como a farinha de jatobá. A inclusão via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é caminho promissor para democratizar o consumo, valorizar a cultura alimentar regional e fomentar o letramento ambiental.
A cadeia do baru é complexa: envolve pesquisa científica, colheita, pós-colheita, processamento, comercialização e aspectos sociais e culturais das comunidades que vivem da coleta e cultivo. Regiões produtoras frequentemente estão desconectadas, carecem de investimentos e infraestrutura, dificultando pesquisas, mapeamentos e desenvolvimento da cadeia.
Por ser uma espécie perene, os resultados de plantio e manejo só aparecem no longo prazo. Universidades e instituições vêm estudando formas de integrar o baru a sistemas produtivos diversificados, como sistemas agroflorestais (SAFs) e substituição do eucalipto por baru na integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
Para consolidar essa cadeia, são fundamentais políticas públicas, financiamento de pesquisas, mapeamento de áreas nativas, proteção contra o desmatamento e estratégias para expandir o cultivo. Isso exige articulação entre órgãos como IBGE, Mapa, MDA, MMA, Conab, assistência técnica, universidades, prefeituras, cooperativas e agroextrativistas, com foco na otimização de dados, promoção do consumo e ampliação dos usos da castanha de baru.
A Binatural, empresa de biodiesel, inova ao usar a casca da castanha de baru como insumo para suas caldeiras. Essa prática sustentável substitui a lenha, possui poder calorífico superior (4.700 kcal/kg, contra o eucalipto) e fortalece a agricultura familiar. Antes descartada em aterros, a casca agora gera renda aos produtores e reduz passivos ambientais.
A iniciativa da Binatural é pioneira: nenhuma outra indústria de biodiesel ou setores como etanol ou biometano utilizam a casca do baru com essa finalidade. A ideia surgiu de uma visita a cooperativas apoiadas pela empresa, onde se identificou o descarte inadequado da casca. O reaproveitamento transformou o problema em solução, com impactos positivos para sustentabilidade e eficiência produtiva.
Os principais beneficiados são produtores localizados em regiões tradicionais de agricultura de subsistência. Com apoio de programas como o Selo Biocombustível Social, as famílias agregam valor ao produto e recebem suporte financeiro, como no caso da Copabase, cooperativa do território do Urucuia Grande Sertão (MG).
Além de promover uma economia circular e geração de renda, a cultura do baru estimula projetos de colheita sustentável, reflorestamento e conservação de áreas degradadas. “Estamos contribuindo para o desenvolvimento da biodiversidade e a valorização dos produtos brasileiros”, afirma André Lavor, CEO e cofundador da Binatural.
O baruzeiro representa um resgate necessário frente à substituição histórica das espécies nativas por frutas exóticas. Em tempos de insegurança alimentar e busca por alimentos sustentáveis, retomar o consumo de espécies como baru, araticum, mangaba, gabiroba e cajuzinho-do-cerrado é urgente para diversificar a base alimentar e preservar o meio ambiente.

Fonte: CicloVivo

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